Publicado 27 de Fevereiro de 2018 - 20h20

Por AFP

Dançando reggaeton e prometendo dar uma surra em seus adversários, o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, se apresentou formalmente nesta terça-feira como candidato às eleições de 22 de abril, que não terão a participação dos principais líderes opositores."Todos com Maduro, lealdade e futuro" foi o refrão para a aparição do presidente no palco ao lado de sua mulher, Cilia Flores, diante da sede do Poder Eleitoral em Caracas."Estou mais pronto do que nunca para as batalhas que virão. Estou aqui porque sou um presidente do povo", aformou Maduro, que dançou com Cilia Flores no palanque diante de milhares de partidários.Maduro se inscreveu na sede do Conselho Nacional Eleitoral (CNE) em meio a um grande aparato, contrastando com os trâmites de seus concorrentes, o ex-governador chavista dissidente Henri Falcón, o pastor Javier Bertucci, o engenheiro Reinaldo Quijada, o empresário Alejandro Ratti e o militar Francisco Visconti.Segundo o Instituto Venezuelano de Análise de Dados, Falcón tem 24% das intenções de voto, contra 18% para Maduro, mas analistas avaliam que o militar da reserva, de 56 anos, não representa um risco real diante do controle institucional e social que o governo exerce.O presidente, que tentará se reeleger para ficar no poder até 2025, utilizou a Assembleia Constituinte para antecipar as eleições, provocando a saída da opositora Mesa da Unidade Democrática (MUD) do pleito.Maduro se dirigiu em particular ao veterano parlamentar opositor Henry Ramos Allup: "Ainda há tempo para se inscrever. Vou lhe dar um surra com dez milhões de votos. Inscreva-se, covarde!" - desafiou.A MUD abandonou a eleição alegando que não há garantias, mas pede a vários governos que pressionem Maduro para que haja eleições "limpas"."Os candidatos da oposição têm todas as garantias eleitorais. A única garantia que não posso dar é que irão vencer as eleições, esta não é possível", ironizou o presidente."Vou iniciar uma nova economia, que satisfaça as necessidades do povo, um novo começo econômico", prometeu Maduro, que atribuiu a caótica situação econômica da Venezuela a uma guerra promovida pelos Estados Unidos e a direita local.

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