Publicado 26 de Fevereiro de 2018 - 20h30

Por AFP

Cheia de dívidas e com dezenas de ações judiciais, a The Weinstein Company (TWC), produtora fundada por Harvey Weinstein e seu irmão, Robert, anunciou que não tem outra saída que declarar falência após o colapso das negociações para a venda da empresa a um grupo de investidores.A companhia desabou desde que começaram a vir à tona, em outubro, as denúncias de assédio sexual, abuso e até mesmo estupro feitas por mais de uma centena de mulheres contra Harvey Weinstein, cujos filmes receberam mais de 300 indicações ao Oscar e 81 estatuetas.A TWC anunciou ter fracassado em alcançar um acordo com o consórcio liderado por Maria Contreras Sweet, uma ex-funcionária do governo de Barack Obama, por um montante de 500 milhões de dólares, segundo a imprensa americana.Contreras Sweet não comentou ainda a informação. A revista Variety anunciou que a notícia da falência foi "como um choque" para o consórcio de investidores e que ele gostaria de determinar se havia ou não possibilidades de continuar a negociação.Em carta de duas páginas dirigida a Contreras Sweet no domingo, representantes da produtora disseram que não tinham "outra saída" que declarar a bancarrota e que tinham trabalhado "incansavelmente" para tentar respeitar as condições impostas pelo procurador-geral de Nova York, Eric Schneiderman.Temendo que a venda da produtora deixasse as vítimas sem a indenização adequada e perpetuasse a atual direção na empresa, o procurador acionou a companhia no começo do mês.Schneiderman disse que qualquer negócio devia contemplar uma indenização adequada para as vítimas, proteger os funcionários e remover os executivos que fizeram vista grossa para os abusos de Weinstein durante anos.A produtora se queixa de que o consórcio liderado por Contreras Sweet não respeitou sua parte no acordo com relação às condições apontadas pelo procurador-geral, nem pôs à disposição fundos para manter os funcionários, nem as operações do dia a dia antes de que a compra terminasse."Devemos concluir que seu plano para comprar esta companhia foi ilusório e só deixaria esta companhia cambaleando até seu fechamento em detrimento de todos os seus integrantes", diz a carta, à qual a AFP teve acesso."Embora lamentemos profundamente que suas ações tenham levado a este resultado desafortunado para nossos funcionários, nossos credores e qualquer vítima, agora buscaremos a única opção viável da junta diretiva para maximizar o valor restante da companhia: um processo de bancarrota ordenado", acrescentou.- "Queria matá-lo" -"Nos próximos dias, a companhia preparará sua declaração de bancarrota com a meta de alcançar seu valor máximo nos tribunais", acrescentou a produtora em um comunicado.As denúncias de abuso sexual contra Weinstein desataram uma avalanche de acusações contra outros homens poderosos da música, da mídia, da gastronomia, da dança, do teatro, da televisão, da política e das finanças.Jennifer Lawrence, de 27 anos, uma das atrizes mais conhecidas dos Estados Unidos, disse no domingo que quando se inteirou das acusações contra Weinstein "queria matá-lo"."A maneira como destruiu a vida de tantas mulheres. Quero vê-lo na prisão", disse ao canal de televisão CBS.Lawrence trabalhou com Weinstein e disse que ele "nunca foi inapropriado" com ela, mas acredita que o que fez é "criminoso e deplorável".Qualquer avanço para a falência criará mais dúvidas sobre o destino de vários filmes já concluídos que estão em um caixão e ainda não têm data de difusão, por exemplo o histórico "The current war", com Benedict Cumberbatch como Thomas Edison, "Mary Magdalene", um drama religioso com Rooney Mara, e "The war with grandpa", uma comédia com Robert De Niro.A companhia também estava com muitos projetos em etapas anteriores à finalização, o mais conhecido um de Quentin Tarantino sobre a família Manson ainda sem título, e "The senator's wife", um filme que, segundo Weinstein, confrontaria o poderoso lobby das armas de fogo, com atuação de Meryl Streep.Weinstein foi despedido do cargo de diretor da companhia após a explosão do escândalo, e depois renunciou ao diretório.Este homem casado, pai de cinco filhos, é investigado pela Polícia de Estados Unidos e da Grã-Bretanha, mas não foi acusado de nenhum crime. Ele assegura que todas as suas relações foram consentidas e supostamente está em tratamento para compulsão sexual.jm-ft/lbc/mvv/cbTHE NEW YORK TIMES COMPANY

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