Publicado 28 de Fevereiro de 2018 - 15h58

Por Alison Negrinho

Por Alison Negrinho

ídolo bugrino conta que pensou em desistir do futebol no início de carreira, mas superou as dificuldades

Luciano Claudino/EC

ídolo bugrino conta que pensou em desistir do futebol no início de carreira, mas superou as dificuldades

Ao caminhar pelas ruas e perguntar qual o maior ídolo do Guarani no elenco atual, o torcedor é unânime em eleger Fumagalli. Também, não é para menos. Aos 40 anos, o camisa 10 já viveu os mais diferentes momentos dentro do Brinco de Ouro: sofreu com decepções, comandou o time em campanhas históricas e vibrou com gols marcantes, muitos deles, eternizados nas memórias dos bugrinos. Antes de virar referência no Alviverde, porém, precisou superar as dificuldades na infância, que o fizeram pensar em desistir.

Enquanto criança, sempre teve o sonho de ser jogador. Com boa qualidade técnica, foi para o juvenil da Ferroviária em 1994 e após um vice-campeonato paulista, subiu para o profissional no ano seguinte. O início não foi fácil, ainda que não gostasse da ideia, o pai apoiava a vontade do jovem de brilhar nos gramados e, para isso, fazia tudo que estava ao seu alcance. "Às vezes ele arrumava dinheiro emprestado pra colocar combustível no carro e poder me levar ou buscar na rodoviária. Minha família não tinha muita condição financeira, mas sempre me incentivou. Dentro de casa, minha mãe é quem gostava um pouco mais de futebol", contou o jogador.

O sucesso na equipe de Araraquara lhe rendeu uma transferência para a base do Santos, foi quando a saudade de casa apertou e ele começou a avaliar se valia a pena insistir em viver da bola. "A adaptação foi complicada. O garoto do interior indo para a cidade grande, foi um pouco difícil, em alguns momentos eu queria voltar, mas meu pai me dizia para ficar, que era só o começo e logo eu me acostumaria".

Depois de ouvir o pai e persistir, o meia deu sequência na carreira e passou entre outros clubes, por Corinthians, Vasco e Sport. No time Pernambucano escreveu um capítulo especial de sua história. Por lá, entre 2006 e 2007, ajudou o Leão a conquistar um Campeonato Pernambucano e o acesso à Série A do Brasileirão. "Tenho um carinho enorme pela equipe, fui vice-artilheiro da Série B com 18 gols, o torcedor tem uma admiração grande por mim, me marcou muito", relembrou.

Mais especial que o Sport em sua vida, contudo, é o Guarani. Fumagalli está em sua terceira passagem pelo Bugre, primeiro jogou entre 2000 e 2001, depois, retornou em 2012 e acabou emprestado para o Santa Cruz-PA. Na sequência, em 2013, voltou para não sair mais. "Aqui é a minha segunda casa, são 300 jogos, vivi momentos bons e ruins, tive chances de sair, mas optei por ficar, e isso fez com que a torcida criasse essa idolatria por mim, sou muito grato ao clube por tudo que já me proporcionou".

Em um seleto grupo de ídolos bugrinos juntamente com nomes como Amoroso, Neto, Evair e Zenon, o camisa 10 contou que seus momentos mais marcantes da carreira são no clube campineiro. Dois em especial são os mais queridos: o vice-campeonato paulista em 2012 e o 6 a 0 diante do ABC em 2016 pela Série C do Brasileirão.

No Paulistão, o Guarani foi derrotado na decisão pelo Santos, depois de eliminar o Palmeiras nas quartas e a Ponte Preta nas semifinais. "Vivi um momento maravilhoso ali, era uma equipe que ninguém acreditava, então eu considero um título".

Já pela competição nacional, o Bugre havia perdido a primeira semifinal por 4 a 0 em Natal, mas conseguiu uma virada espetacular em Campinas, com Fumagalli anotando três gols. "Foi o maior jogo da minha vida, eu estava com 39 anos, é inesquecível".

Gol em dérbi do centenário

O dia 24 de março de 2012 é especial para Fumagalli. Na data em questão, o dérbi entre Guarani e Ponte Preta completava exatamente 100 anos de existência e os rivais se enfrentariam pela primeira fase do Campeonato Paulista, no clássico de número 188 da história.

Disputado no Moisés Lucarelli, o confronto foi tenso, com atletas expulsos dos dois lados. Aos 26' da etapa final, o zagueiro Diego Sacoman abriu o placar para os donos da casa depois de cobrança de falta de Renato Cajá. Quando a partida parecia resolvida, porém, o Bugre chegou ao empate com Fumagalli, aos 46'.

Ronaldo, que tinha acabado de entrar na partida, foi derrubado por Gerson e o árbitro Rodrigo Braghetto assinalou a penalidade máxima. Na cobrança, o camisa 10 bateu no canto direito alto, sem chances para Lauro.

O ídolo do Guarani relembrou a recepção dos torcedores após o embate. "Nesta partida nós conseguimos o empate na casa deles e quando voltamos para o Brinco, a entrada estava totalmente lotada e eu nunca vou me esquecer disso. Nós jogadores descemos do ônibus para comemorar com os bugrinos. Os torcedores nos abraçando, cantando o hino. Todos os atletas fizeram a festa junto com a torcida, foi muito marcante", relembrou o craque, que nutre muito carinho pelo momento.

"É um gol bem especial para mim, foi maravilhoso, um momento de tensão, o time estava perdendo e conseguimos sair com um resultado melhor", destacou Fumagalli, que colocou outros dois gols logo na sequência da lista dos mais especiais. "Tem o olímpico contra o Palmeiras em 2012 no Brinco pelo Paulistão e aquele de falta contra o ABC pelas semifinais da Série C do Brasileirão em 2016", completou.

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