Publicado 27 de Fevereiro de 2018 - 7h21

Por Maria Teresa Costa/ AAN

Malha ferroviária de Campinas, na Ponte Preta: projeto tem também o objetivo de usar a estrutura existente para o transporte de cargas e de passageiros de forma otimizada

Cedoc/RAC

Malha ferroviária de Campinas, na Ponte Preta: projeto tem também o objetivo de usar a estrutura existente para o transporte de cargas e de passageiros de forma otimizada

O governo do Estado anunciou que em três meses serão disponibilizados os estudos que demonstrarão a possibilidade do compartilhamento das vias férreas entre o transporte de cargas e de passageiros e que a licitação para a implantação do primeiro trecho do Trem Intercidades (TIC), entre Americana e São Paulo, deverá ocorrer em agosto. Esse trecho, de 135km, tem custo estimado de R$ 5 bilhões. O trabalho será apresentado ao governo federal para que sejam definidas as regras de compartilhamento das vias férreas e os níveis de qualidade dos serviços de passageiros a serem atingidos pelo Trem Intercidades.

O governo do Estado já fez estudos a respeito, que mostraram que ao lado dos trilhos da ferrovia de carga ainda é possível instalar mais uma de carga e duas de trem de passageiros, sem que seja necessária desapropriação. Para isso, no entanto, é preciso que o governo federal ceda a chamada faixa de domínio ao longo da ferrovia de carga entre Americana e São Paulo, para o projeto deslanchar.

O novo estudo será parte do Plano Diretor da Macrometrópole Paulista que está sendo contratado pelo governo do Estado para um sistema de transportes de passageiros e cargas, que será implantado para ligar as regiões metropolitanas da Capital, Baixada Santista, Sorocaba, Campinas e Vale do Paraíba (São José dos Campos e conexão com São Sebastião), e hoje são dependentes do sistema rodoviário para o transporte de cargas e pessoas.

O plano diretor, com alternativas no horizonte de 50 anos, será elaborado pelo Consórcio Pró-TL. O consórcio venceu a licitação internacional por R$ 20,8 milhões, para apresentar as alternativas de um novo sistema que garanta a mobilidade urbana dessa grande região que contém três quartos da população e 80% do Produto Interno Bruto (PIB) paulista.

O Pró-TL é formado por cinco empresas lideradas pela DB Internacional Brasil Ltd<SC210,170>, subsidiária do grupo Deutsche Bahn, maior companhia operadora de ferrovias da Europa e competiu com 22 consórcios com 46 empresas.

Segundo a Secretaria de Logística e Transportes o estudo da Macrometrópole tem prazo de conclusão de 20 meses — mas antes, em 90 dias, o estudo para o trecho de Americana a São Paulo já será disponibilizado.

O escopo do estudo prevê alternativas para atender as demandas de transporte de passageiros e cargas projetadas para a Macrometrópole num horizonte de 50 anos, ampliar o aproveitamento da infraestrutura existente e propor adequações necessárias para uma expansão gradativa e programada.

O plano também fará a análise de viabilidade econômica e funding (captação de recursos) dos projetos em parceria com a iniciativa privada e levantar alternativas de geração de receitas como meio para minimizar aporte de recursos públicos e identificar novas alternativas para veiculação de contêineres de ou para o Porto de Santos. Hoje, segundo a Secretaria de Logística, estas cargas são quase que integralmente movimentadas por caminhões que superlotam os acessos à RMSP, à Via Anchieta e as entradas e saídas do Porto.

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Maria Teresa Costa/ AAN