Publicado 27 de Fevereiro de 2018 - 7h20

Por Rogério Verzignasse

Filas imensas: o problema começou na sexta-feira passada, quando teve início a mobilização no Hospital Ouro Verde, e deverá se agravar porque enfermeiros e técnicos poderão aderir

Dominique Torquato/AAN

Filas imensas: o problema começou na sexta-feira passada, quando teve início a mobilização no Hospital Ouro Verde, e deverá se agravar porque enfermeiros e técnicos poderão aderir

A paralisação dos médicos do Complexo Hospitalar Edvaldo Orsi, no Ouro Verde, sobrecarregou o Pronto-Socorro do Hospital Municipal Dr. Mário Gatti. Nesta segunda-feira, pacientes esperavam até quatro horas para ser medicados, após a triagem. O movimento grevista, que mobiliza 350 especialistas, aos poucos ganha a adesão de enfermeiros e técnicos. A Prefeitura nega que tenha havido qualquer prejuízo no atendimento de emergência, e que a demora do atendimento afeta somente pacientes de casos que podiam ser resolvidos fora do PS.

O movimento explodiu na sexta-feira. Diariamente, buscam atendimento no hospital nada menos que 500 pacientes. Destes, cerca de 70 precisam de atendimento emergencial e continuam sendo atendidos pelas equipes de plantão. Todos os demais, no entanto, agora buscam o Mário Gatti. E quem chega lá precisa ter paciência. A reportagem passou pelos PS adulto e infantil, ouviu muitas queixas e acabou presenciando uma cena inusitada: funcionário de uma empresa contratada para a segurança patrimonial começou, por conta própria, a ajudar os servidores que trabalhavam feito loucos na repartição lotada. Ele próprio, em uma porta de acesso aos consultórios, chamava um a um os pacientes pela senha.

Por ali a reportagem ou viu depoimentos como o de Vitor Hugo Missé, de 25 anos, morador do DIC 1, que se envolveu em uma briga e teve hematomas por todo o tórax e o abdomen. Consultado às 8h, ele ainda aguardava ser medicado por volta das 11h. Sentindo dores fortes, ele tinha de esperar. O pedreiro Marcelo Tadeu da Silva, morador do Jardim Ouro Verde, com suspeita de pneumonia, permanecia há quase quatro horas encolhido, febril, em um banco ao lado do bebedouro do saguão.

Servidores admitiram à reportagem que o quadro desta segunda repetia a situação da sexta-feira, quando pelo menos dobrou o número de atendimentos no Mário Gatti.

O Sindicato dos Médicos de Campinas informou que, às 7h da manhã desta terça-feira, uma nova assembleia de trabalhadores deve dar a noção exata sobre o número de trabalhadores que aderem ao movimento. Os médicos buscam o apoio de enfermeiros , técnicos e trabalhadores de todos os setores. Falam em atrasos de salários que, em alguns casos, perduram desde meados do ano passado.

Administração nega

O diretor-presidente do Hospital Municipal Dr. Mário Gatti, Marcos Pimenta, afirmou que o atendimento de urgência e emergência continua funcionando normalmente, e que nenhum paciente corre risco de vida. Na opinião dele, a paralisação no Ouro Verde é um movimento que não se justifica. Desde dezembro, explicou, uma medida judicial cautelar autoriza a Prefeitura a arcar com os vencimentos de trabalhadores contratados pela OS Vitale, que respondia pela administração do complexo e acabou afastada por suspeita de desvio de recursos.

Também não procederia, segundo Pimenta, a informação de que funcionários celetistas, das empresas fornecedoras do hospital, estejam sem receber porque a Prefeitura atrasou o pagamento de serviços ou insumos. “A administração já quitou R$ 2,6 milhões em dívidas assumidas com fornecedores em outubro e novembro, e já encaminhou o pagamento de mais R$ 1,1 milhão relativos a contratos de dezembro”, explicou.

Pimenta optou por não dar qualquer informação sobre o tempo médio de atendimento do Mário Gatti. Disse que a situação varia muito, e depende da entrada dos casos de urgência, que não podem esperar. Ele informou, no entanto, que centenas de pacientes que lotam o saguão nem precisam de atendimento no pronto-socorro e podiam tranquilamente passar pelos centros de saúde da cidade. O que foi confirmado, à reportagem, pelos próprios servidores que trabalhavam no balcão.

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Rogério Verzignasse