Publicado 28 de Fevereiro de 2018 - 12h40

Por Estadão Conteúdo

A redução no ritmo de extinção de vagas com carteira assinada no País pode ser considerada uma boa notícia vinda do mercado de trabalho, segundo Cimar Azeredo, coordenador de Trabalho e Rendimento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

"Não podemos dizer que as políticas que estão sendo implementadas não estão sendo suficientes, elas estão reduzindo a queda na carteira assinada. Você não vai querer que de um mês para o outro se recupere todo esse volume que foi perdido (de empregos formais). Essa queda na carteira vai inverter e vai ter aumento da carteira assinada se continuar esse processo que a (recuperação da) atividade econômica tem mostrado. Recompor a carteira não é trivial. É um processo que leva tempo", afirmou Azeredo.

O coordenador reconhece, porém, que as mesmas políticas ainda não foram eficazes em gerar vagas formais e que o cenário ainda não pode ser considerado positivo. Em três anos, foram fechados 3,5 milhões de postos de trabalho com carteira assinada no setor privado. O contingente de trabalhadores formais permanece entre os patamares mais baixos da série histórica, embora as demissões tenham diminuído, segundo os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua).

O contingente de trabalhadores formais no País foi de 33,296 milhões de pessoas no trimestre encerrado em janeiro, tão baixo quanto o piso de 33,286 milhões registrado no trimestre até abril de 2017.

"Estatisticamente nem tem diferença", explicou Azeredo. "A carteira assinada está no nível mais baixo da série histórica. O motivo que tem para comemorar é a desaceleração da queda na carteira, está perdendo menos. Mas chegamos ao maior nível de informalidade. De 2012 para cá, o Brasil nunca esteve tão informal e num patamar tão baixo de carteira assinada. Ainda não começamos a recompor carteira. Esse capítulo não começou ainda, a gente nem sabe quando isso vai acontecer", ponderou Azeredo.

O contingente de trabalhadores atuando por conta própria alcançou o recorde de 23,182 milhões de pessoas no trimestre encerrado em janeiro. O total de trabalhadores sem carteira no setor privado subiu a 10,987 milhões.

"Ainda que seja pelo trabalho informal, você tem uma recuperação do mercado (de trabalho) em termos de volume, seja de maior ocupação ou de menor desocupação", avaliou o coordenador do IBGE.

O País tinha 91,702 milhões de ocupados no trimestre até janeiro, 1,848 milhão de vagas a mais em relação ao mesmo período do ano anterior. "O aumento no volume de ocupados é positivo, a qualidade da ocupação é questionável", resumiu Azeredo.

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