Publicado 26 de Fevereiro de 2018 - 13h30

Por Estadão Conteúdo

As transações correntes devem registrar superávit de US$ 300 milhões no mês de fevereiro. A estimativa foi divulgada pelo chefe do Departamento de Estatísticas do Banco Central, Fernando Rocha. O resultado positivo neste mês é em decorrência especialmente do ingresso de lucros e dividendos enviados por filiais de empresas brasileiras no exterior. Como é atípico, o BC mantém a previsão de tendência de aumento do déficit no ano.

Dado parcial de fevereiro até o dia 22 indica que o Brasil já registrou ingresso líquido de US$ 1 bilhão em remessas de lucros e dividendos no mês. "Embora não seja propriamente um dado sazonal, é comum que as receitas de lucros e dividendos sejam fortes no começo do ano dependendo do que aconteceu no ano anterior", disse.

Apesar desse comportamento atípico, Fernando Rocha reafirmou a aposta de que a tendência do déficit externo é de elevação durante 2018. O BC prevê déficit de US$ 18,4 bilhões no ano, bem superior aos US$ 9,762 bilhões observados no ano passado.

"A razão desse aumento é o maior dinamismo da atividade doméstica, que eleva a demanda por bens e serviços do exterior", disse o técnico do BC.

Investimento Direto

O Brasil recebeu US$ 3 bilhões em Investimento Direto no País (IDP) nos 22 primeiros dias do mês de fevereiro, conforme dado parcial divulgado pelo chefe do Departamento de Estatísticas do Banco Central. Segundo ele, o mês de fevereiro deve terminar com ingresso de US$ 4,2 bilhões em IDP.

Ao divulgar as estimativas, Rocha comentou que a entrada de US$ 6,466 bilhões em IDP no mês passado surpreendeu porque no fim de janeiro foram registradas grandes operações que somaram US$ 2 bilhões. "Eram operações esperadas para o conjunto do ano, mas que não esperávamos em janeiro", disse. Para o ano, o BC prevê entrada de US$ 80 bilhões em IDP em 2018.

Renda fixa

Após a forte entrada de capital estrangeiro para investimento financeiro no mês passado, dados preliminares de fevereiro indicam reversão e pequena saída de recursos. Dados do Banco Central mostram fluxo líquido negativo de US$ 118 milhões no investimento estrangeiro em ações brasileiras no mês até o dia 22. Já as aplicações em renda fixa registraram saída líquida de US$ 97 milhões no mesmo período.

Os números indicam reversão da tendência positiva observada no primeiro mês do ano, quando ingressaram US$ 4,1 bilhões para ações e US$ 5,9 bilhões para renda fixa, sendo US$ 1,5 bilhão apenas na emissão do bônus soberano Global 2047.

Durante apresentação dos números das contas externas relativos ao mês de janeiro, o chefe do Departamento de Estatísticas do BC também informou que a taxa de rolagem das operações externas está em 98% no mês de fevereiro até o dia 22, sendo que o indicador alcançou 1.107% em títulos e 35% em empréstimos.

O técnico também informou que a despesa com juros da dívida externa somou US$ 541 milhões no mês até o mesmo dia 22.

Viagens internacionais

A despeito da reação ainda tímida da economia, as despesas com viagens internacionais dispararam. Dados do Banco Central mostram que o gasto de brasileiros no exterior saltou 26,8% em janeiro na comparação com igual período do ano passado e somou US$ 2,002 bilhões. "A conta de viagens se aproxima de se transformar no maior déficit da conta de serviços", disse Fernando Rocha.

Dados do BC indicam que, com o aumento das viagens ao exterior, o ano de 2018 começou com o quarto maior valor para o mês de gasto de brasileiros em viagem da série e apenas US$ 272 milhões inferior ao recorde histórico registrado em 2013 - quando foram registrados US$ 2,274 bilhões.

Em janeiro de 2018, o déficit da conta de viagens somou US$ 1,223 bilhão, valor bem próximo ao saldo negativo gerado pelo aluguel de equipamentos no exterior, que somou US$ 1,239 bilhão. "Anteriormente, o maior déficit de serviços era sempre vinculado à conta de aluguel de equipamentos, mas o investimento tem sido o item que tem apresentado mais dificuldade em se recuperar. Então, o déficit é praticamente igual ao de viagens", disse Rocha.

Em fevereiro, essa tendência continua. O dado preliminar do mês até o dia 22 indica déficit de US$ 649 milhões, resultado de gastos totais de US$ 1,141 bilhão de brasileiros em viagem no exterior e recebimento de US$ 491 milhões com estrangeiros em passeio no Brasil.

O técnico do BC explica que o aumento da renda disponível, da massa salarial e do emprego está por trás do aumento dos embarques de brasileiros para o exterior. "Vimos isso ao longo de 2017. Em geral, houve recuperação do emprego, da renda e da massa salarial. Isso não gera impacto apenas na demanda interna, mas uma parte é destinada à demanda externa", disse Rocha.

Apesar desse aumento do rombo gerado pelos turistas, o chefe do departamento do BC não demonstra preocupação. "Temos o menor déficit externo desde 2007. O déficit em valor é baixo e é inteiramente financiado com o Investimento Direto no País. Em termos macroeconômicos, isso não traz preocupação", disse.

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