Publicado 26 de Janeiro de 2018 - 21h02

Por Adagoberto F. Baptista

Fotos: Leandro Torres

Henrique Hein

Da Agência Anhanguera

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Não é segredo para ninguém que uma alimentação saudável na infância é importante para o crescimento e desenvolvimento do corpo. Entretanto, uma criança que se alimenta mal tem mais probabilidades de desenvolver doenças crônicas como hipertensão, diabetes e obesidade na idade adulta. Além disso, muitas vezes, o excesso de peso logo nos primeiros anos de vida pode causar problemas de baixa autoestima e até transtornos psicológicas, causadas pelo bullying na escola. Nesse período de transição para a adolescência, os pais têm papel fundamental para que as crianças desenvolvam bons hábitos alimentares desde cedo. O problema, é que nem todos sabem como fazer isso. Pensando nisso, o Correio foi atrás de dicas sobre reeducação alimentar.

De acordo com a nutricionista Ana Júlia Flório, de 25 anos, a alimentação saudável é importante em todos os momentos da vida, em especial na infância, que é o período em que as crianças precisam comer bem para poder crescer e se desenvolver. “Independente de qualquer questão genética ou física, nós somos aquilo que comemos, então uma alimentação sem os principais nutrientes, que são vitamina, mineiras, carboidratos, proteína e gordura, deixam o organismo frágil e suscetível as doenças. Todos esses nutrientes são importantes nessa fase de crescimento da criança”, explicou a especialista.

A arquiteta Roberta Cristina de Souza, de 34 anos, tem um filho de cinco anos chamado Lucas. Ela comentou que por recomendação médica precisou cortar os alimentos que costumava deixar seu filho comer na hora do almoço. “Eu trabalho muito durante a semana e quase não paro em casa. Como meu filho volta de perua e chega sempre por volta das 13h, eu dava o aval para a minha diarista, que não sabia cozinhar, dar um pacotinho de salgadinho ou bolacha para ele não passar fome”, comentou a arquiteta. A medida, com tudo, não surtiu o efeito que ele esperava. “Tem mais de dois meses que eu cortei os produtos que a médica me disse que fazem mal, cheguei a contratar uma funcionaria que sabe cozinhar para fazer um almoço saudável para o Lucas, mas não adianta, meu filho toda hora fala que está sem fome e que não quer comer”, comentou Roberta.

Para a nutricionista, esse é um quadro comum nos dias de hoje. Ela afirmou que a maior dificuldade que os pais encontram na hora de alimentar seus filhos está na quebra dos hábitos alimentares. “Uma criança que todo dia em casa, se acostuma a tomar refrigerante, comer bolacha recheada e alimentos gordurosos, acaba com o tempo desenvolvendo, inconscientemente, uma restrição aos demais alimentos. Tanto que quando ela se depara com um lanche integral ou uma salada, por exemplo, na maioria dos casos ou ela faz força para não comer, ou então, faz bira para conseguir a comida que ela acha mais gostosa”, explicou a nutricionista.

A dica para os pais que não conseguem achar um tempo para preparar um alimento saudável para seus filhos, segundo a especialista, está na própria cozinha. “O que eu recomendo é que os pais prepararem sempre duas ou três opções de refeições a noite e guardem o que sobrar no freezer, porque a comida não estrada e você não precisa jogar ela fora. Para não ficar sempre repetido, cada dia você serve um tipo de refeição diferente”, disse.

Retranca – Volta as aulas

O mês de janeiro está quase no fim e isso significa que a volta às aulas estão se aproximando. Uma alimentação mais regrada faz parte da rotina, mas o fato é que nem sempre dá tempo de preparar lanches mais saudáveis e nutritivos para garantir que a criança se alimente bem no período que está na escola.

Segundo a nutricionista, Caroline Santos, de 50 anos, sempre é possível pensar em opções simples, porém, completas. “A lancheira só precisa conter uma opção de bebida. Pode ser um suco natural, ou uma água de coco. Para comer, o ideal e sempre misturar um carboidrato com uma proteína. Um pãozinho integral, uma fruta ou um legume são opções legais de carboidratos. Já como complemento proteico eu sugiro um produto lácteo, como queijo minas, um filé de frango ou uma carne, por exemplo.”, comenta.

A dica da especialista é para que os pais fiquem atentos à combinação de cores. “Se a lancheira já contém uma fruta, a bebida não precisa ser suco; se contém queijos, não é necessário o leite. Variedade de cores é sinônimo de mais nutrientes. Deve-se considerar que as crianças precisam estar bem alimentadas e hidratadas no período em que estão na escola”, explica a nutricionista.

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Adagoberto F. Baptista