Publicado 26 de Janeiro de 2018 - 17h14

Por Adagoberto F. Baptista

Desativado desde 2014 por problemas estruturais no telhado, o prédio do Colégio Técnico da Unicamp (Cotuca), no centro da cidade, segue sem definição sobre seu futuro. Reitor da universidade, Marcelo Knobel explicou que a instituição busca alternativas para conseguir recursos financeiros que banquem uma reforma. Entretanto, não há uma previsão para que isso aconteça.

 

"Temos a dificuldade específica de se tratar de um prédio tombado, importante para a cidade e que tem um custo de manutenção que atualmente, com a situação da Unicamp, não temos condições de arcar. Estamos buscando parcerias para fazer esse financiamento, o valor não está fechado, mas com certeza é na casa dos milhões", explicou Knobel.

 

O Cotuca estava instalado em um prédio doado pela Associação Bento Quirino ao Governo do Estado de São Paulo em 1958. Já em 1967, através de um convênio, o colégio passou a ser administrado pela Unicamp. Contudo, pouco mais de três anos atrás, o prédio histórico entrou em estado de abandono. A gestão passada da Unicamp estudava ocupar um dos prédios mais preservados com um novo polo do Museu Exploratório de Ciências. A ideia ainda está sendo trabalhada, mas sem data para acontecer.

 

A área de arquitetura do museu é quem está cuidando da restauração do prédio do fundo do Cotuca, para que para lá possam ser levadas algumas atividades, além da montagem de um laboratório. Desta maneira, seria possível atrair o interesse da população e, com isso, resolver o problema de isolamento do local. Entre as afirmações do Museu de Ciências para a busca por um novo lugar está sua localização, na Avenida Alan Turing, 1500, na Cidade Universitária. O local é visto como isolado e, por conta disso, recebe menos pessoas do que seu potencial.

 

Após a desativação do prédio na região central, a Unicamp transferiu as atividades escolares para um novo imóvel, localizado no bairro Taquaral. Enquanto isso, o reitor revelou que a prioridade está na construção da nova sede. "A construção já foi aprovada aqui na universidade, agora estamos buscando recursos para realizá-la", afirmou Knobel, que disse já haver uma área destinada para a obra.

 

 

Comércio local

Por conta da desativação, quem também acabou prejudicado foi o comércio na região. A grande quantidade de alunos que o Cotuca recebia procurava locais próximos para comer, tirar cópias ou comprar materiais. Para o comerciante Evandro Ligabó Soares, de 65 anos, a ausência dos jovens resultou em uma diminuição considerável de renda.

 

"Não sei dizer quanto deixei de lucrar, mas com certeza me prejudicou. Estou neste ponto há muitos anos, e me lembro que sempre vinham vários alunos para comprar caderno, lápis, borracha. Agora isso não acontece mais. Espero que encontrem uma solução rapidamente, para que assim o prédio possa voltar a ser frequentado", contou.

 

Gerente de um bar próximo ao colégio, Maristela Siviero Diaz, de 39 anos, explicou que o horário do almoço costumava ser lotado quando o Cotuca funcionava por lá. "Como algumas aulas aconteciam no período da tarde, muitos jovens que estudavam de manhã no colegial passavam por ali para comer e depois seguiam para o curso técnico", disse.

 

Sobre o destino do prédio antigo, o reitor explicou que ainda estão decidindo o que fazer. "A universidade, por falta de recursos, não consegue reformar. A questão do comercio na região é uma preocupação nossa também, temos discutido isso com a Prefeitura, é uma região importante, tem toda a questão da manutenção do patrimônio histórico".

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Adagoberto F. Baptista