Publicado 25 de Janeiro de 2018 - 17h36

Por Jaqueline Harumi Ishikawa

Jaqueline Harumi

Da Agência Anhanguera

[email protected]

Dentro da primeira fase da Operação Ouro Verde, o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) de Bauru, do Ministério Público do Estado (MP), cumpriu ontem de manhã dois mandados de busca e apreensão de documentos em residências vizinhas no município de Bariri, a 230 quilômetros de Campinas. A ação ocorreu em apoio ao Gaeco de Campinas, com auxílio da Polícia Militar.

De acordo com os promotores de Justiça do Gaeco Campinas, os imóveis são de pessoas ligadas a familiares de advogado da Organização Social Vitale Saúde, que geria o Complexo Hospitalar Ouro Verde e teve o contrato suspenso em 5 de dezembro pela suspeita do desvio de R$ 4,5 milhões da unidade de saúde. Conforme a nota divulgada à imprensa, as buscas ocorreram “em razão de informações dando conta de possível ocultação de documentos”, “foram cumpridas e nada foi apreendido”.

O promotor Luís Cláudio Davansso, do Gaeco de Bauru, complementou que o cumprimento dos mandados ocorreu logo pela manhã, no Jardim Paraíso, em duas casas de pessoas não envolvidas na investigação, “uma diligência muito pontual”.

Processo

A Operação Ouro Verde foi desencadeada em 30 de novembro pelo Gaeco de Campinas, com apoio do 1º Batalhão de Ações Especiais de Polícia (Baep), quando houve a prisão de cinco pessoas relacionadas à Vitale Saúde e, no dia seguinte, um sexto envolvido, que não havia sido encontrado a princípio. Do Poder Público, são investigados o prefeito Jonas Donizette (PSB), o próprio Bernardin e o líder do governo na Câmara Municipal, Marcos Bernadelli, citados em ligações interceptadas pelo MP.

Conforme o promotor que ofereceu a denúncia, Daniel Zulian, todos são suspeitos de envolvimento em consultorias simuladas para obter dinheiro de forma indevida. Além disso, há indícios de superfaturamento na compra de medicamentos, insumos e prestação de serviços.

Nesta semana, o advogado Haroldo Cardella, do réu apontado como lobista, pediu à Justiça a absolvição sumária do cliente, Fernando Vítor Nogueira Franco, afirmando que o acusado não tinha relação com integrantes do grupo antes do processo licitatório, do qual não teve participação. No processo, Franco é indicado como responsável pela obtenção de novos contratos com o Poder Público de municípios diversos, “mediante influência e contatos com agentes públicos”. Aparecida de Fátima Bertoncello, a Tata, Ronaldo Foloni, Ronaldo Pasquarelli e Daniel e Paulo Câmara são apontados como os demais integrantes do grupo.

Comissão

A Comissão de Representação da Transição da Administração do Hospital Ouro Verde, da Câmara Municipal, deve ouvir o secretário de Saúde, Carmino de Souza, no retorno do recesso do Legislativo, em fevereiro. Na reunião da comissão realizada anteontem foi ouvido o secretário municipal de Assuntos Jurídicos, Silvio Bernardin, que alegou que a Prefeitura já se preparava para substituir o modelo de gestão antes do término do contrato com a Vitale, diante das greves e paralisações, classificando as irregularidades apontadas pelo MP como uma “surpresa para o governo”.

Sobre o direcionamento à contratação da Vitale, afirmou que a Administração Municipal possibilitou que mais OSs oferecessem propostas, e em relação à prestação de contas informou que uma auditoria está sendo feita no trabalho do responsável, ex-diretor da Secretaria Municipal de Saúde, Anésio Corat Júnior, que mantinha em casa R$ 1,2 milhão apreendido na operação – o valor foi justificado como fruto da venda de uma fazenda do tio, que mora com ele.

Escrito por:

Jaqueline Harumi Ishikawa