Publicado 25 de Janeiro de 2018 - 16h23

Por Adriana Leite e Silva

Maria Teresa Costa

Da Agência Anhanguera

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Depois de perder 133,9 mil usuários de planos de saúde entre 2014 e 2016, a Região Metropolitana de Campinas (RMC) dá sinais de início da reversão do cenário sombrio, que levou milhares de pessoas, sem emprego, a recorrer aos serviços públicos de saúde. O número de beneficiários na RMC cresceu 0,22% em 2017 na comparação com 2016 e chegou a 1,36 milhão de usuários. É um crescimento pequeno, mas a região está em situação muito melhor que a média do País, que registrou redução de 0,59% e do Estado, que teve queda de 0,9% no número de beneficiados de planos de saúde entre 2016 e 2017.

Onze cidades registraram crescimento no número de beneficiários na região e nove perderam. Nas nove cidades, 5,7 mil pessoas ficaram descobertas de um plano de saúde no ano passado, das quais 3.983 em Campinas, na comparação com 2016. No balanço entre 2014 e o ano passado, a região acumula uma perda de 130,9 mil usuários de planos de saúde. Campinas, no período, perdeu 77,8 mil beneficiários.

Entre dezembro de 2016 e dezembro de 2017, os usuários de planos na região passaram de 1.359.425 para 1.362.497, segundo dados da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Em 2014, a região tinha 1.493.422 usuários de planos de saúde.

O secretário de Saúde de Campinas e diretor do Conselho Nacional de Secretários Municipais de Saúde (Conasems), Carmino de Souza, avalia que o crescimento registrado pela ANS é uma boa notícia, porque pode estar sinalizando uma retomada da atividade econômica, embora o aumento registrado na RMC, de 0,22% é muito pequeno, frente as perdas ocorridas nos últimos anos. “A expectativa é que em 2018 a situação melhore, porque no ano passado a pressão sobre os serviços públicos de saúde continuou alta, especialmente em consultas, medicamentos, internações”, disse.

Ele observa que o comportamento no número de beneficiários de planos de saúde está intrinsicamente ligado à atividade econômica, uma vez que a maioria dos planos é empresarial. “O número de convênios individuais é escasso. Enquanto não tivermos recuperação da economia, a pressão nos serviços públicos não irá diminuir. Em 2017 batemos o fundo do poço”, afirmou.

Para o economista Ricardo Ramos de Oliveira, o movimento registrado nos planos de saúde é o retrato perfeito dos impactos que a crise econômica provocou no País. “O primeiro foi o desemprego e com ele, as dificuldade de garantir atendimento à saúde da família. Os planos têm alto grau de resiliência, conseguem se manter, mas o beneficiário só tem com alternativa o Sistema Único de Saúde (SUS), que antes da crise econômica já vinha sobrecarregado e piorou muito após 2014, justamente porque passou a ter que dar conta também de um contingente que perdeu o plano de saúde”, afirmou.

Na RMC, Santo Antonio de Posse teve a maior perda de usuários de planos de saúde. Saiu de 5,09 mil em 2016 para 4,8 mil no ano passado, uma redução de 4,3%. O maior crescimento ocorreu em Engenheiro Coelho, que saiu de 3,6 mil beneficiários para 3,8 mil, um aumento de 6,54 no período.

As cidades que registraram decréscimo no número de beneficiários de planos de saúde na RMC foram Artur Nogueira (1,28%), Campinas (0,67%), Cosmópolis (0,49%), Paulínia (0,02%), Pedreira (2,86%), Santo Antonio de Posse (4,3%), Sumaré (0,07%), Valinhos (0,26%) e Vinhedo (1,62%)

ELEMENTO

Beneficiários na RMC

Cidade 2016 2017 Variação

Americana 119.593 122.256 2,22

Artur Nogueira 13.135 12.966 -1,28

Campinas 589.004 585.021 -0,67

Cosmópolis 19.299 19.203 -0,49

Engenheiro Coelho 3.638 3.876 6,54

Holambra 4.108 4.132 0,58

Hortolandia 70.212 70.481 0,38

Indaiatuba 96.018 97.816 1,87

Itatiba 39.017 40.746 4,43

Jaguariúna 19.513 20.024 2,61

Monte Mor 16.887 17.079 1,13

Morungaba 3.572 3.719 4,11

Nova Odessa 21.747 21.952 0,94

Paulínia 45.087 45.077 -0,02

Pedreira 12.981 12.609 -2,86

Santa Bárbara d´Oeste 80.648 81.644 1,23

Santo Antonio de Posse 5.093 4.874 -4,3

Sumaré 97.725 97.647 -0,07

Valinhos 65.369 65.194 -0,26

Vinhedo 36.779 36.181 -1,62

Total 1.359.425 1.362.497 0,22

Fonte: ANS

PERSONAS

“Tive plano de saúde por 25 anos e hoje, ao depender do SUS, vejo o quanto o particular é melhor e o atendimento é bem mais rápido.

Gileno Martins de Oliveira, aposentado, 59 anos, morador do Jardim Nova América

Quando meu esposo aposentou, perdi o plano de saúde. Hoje no SUS, para ter o meu braço enfaixado foram exatas 12 horas em espera.

Eunice Góis de Oliveira, diarista, 52 anos, moradora do Jardim Nova América

Já faz mais de uma hora que estou aguardando atendimento, em comparação com o serviço de saúde particular, o público é muito inferior.

Walter Silva, chefe de cozinha, 55 anos, morador do Jardim Florence

Eu tinha plano de saúde mas e cancelei porque eles prometiam coisas e não cumpriam. Demora por demora, optei por utilizar o SUS.

Marcos Batagine, aposentado,73 anos, morador na Vila Mimosa

Eu saí do emprego e perdi todos os direitos. Agora eu estou com o pulmão comprometido e tendo que aguardar horas para ser atendida no SUS.

Rita de Cássia, auxiliar de higiene, 54 anos, moradora da Vila Rica

As parcelas do plano de saúde são muito altas, eu não estava conseguindo pagar e por isso tive que partir para o sistema de saúde pública.

Stênio dos Santos, vendedor ambulante, 45 anos, morador no Centro

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Adriana Leite e Silva