Publicado 25 de Janeiro de 2018 - 12h54

Por Rogério Verzignasse

SERVIÇOS PÚBLICOS ||| AVANÇO

Regularização fundiária agiliza obras

Em dois anos, pavimentação das ruas mudou o cotidiano de moradores do Eldorado dos Carajás

Galerias pluviais

acabaram com drama

das inundações

FOTOS Patrícia, feitas dia 24

A imagem mais legal é a do cozinheiro Perci Barbosa, um dos moradores que trabalharam na instalação de lombadas improvisadas na principal rua do bairro, que depois de asfaltada virou via de trânsito confuso. Ele está agaixado, na frente da lombada

Te, foto da dona Querubina, maranhense, que sofria sem água, asfalto e coleta de esgoto, e hoje festeja a qualidade de vida no bairro

Rogério Verzignasse

DA AGÊNCIA ANHANGUERA

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A regularização de antigas áreas de ocupação no distrito do Ouro Verde acelera as obras de infraestrutura urbana e garante qualidade de vida para milhares de famílias que, por décadas, não contavam com serviços essenciais. O Eldorado dos Carajás, que surgiu em meados da década de 90, era uma gleba tomada por barracos e casebres, espalhados por ruelas estreitas e esburacadas. Os lotes foram regularizados ao longo de 20 anos, e os benefícios chegaram. Há água encanada, coleta de esgoto, limpeza pública. E, ao longo dos últimos dois anos, todas as ruas foram pavimentadas.

Com a ordem de serviço assinada em março de 2015 pelo prefeito Jonas Donizette (PSB), começaram a ser executadas - simultaneamente à pavimentação - obras estruturais importantes, como a instalação de 4,7 mil metros de galerias pluviais. Na antiga ocupação urbanizada, os oito mil moradores do bairro deixaram de sofrer com inundações e desabamentos, que eram comuns nos terrenos mais baixos.

A população comemora, aliviada. Dona Querubina Dias Fonseca, por exemplo, maranhense de 63 anos, conviveu durante quase duas décadas com a precariedade de um bairro onde era impossível sair de casa quando chovia. A rua era pura lama. Quem ia ao Centro, lembra, levava um par de sapatos limpinhos na sacola, que eram calçados só depois que o cidadão tomava o ônibus. “Era tudo difícil. Um bairro muito carente, muito violento. Hoje a gente está muito feliz”, diz.

O secretário municipal de Serviços Públicos, Ernesto Paulela, afirma que a instalação do distrito do Ouro Verde, em 2015, permitiu que a Administração alocasse servidores e equipamentos no atendimento exclusivo da região. A nova paisagem no Eldorado dos Carajás, afirma, é um símbolo das mudanças: “O asfalto na porta de casa muda a vida das pessoas.”

Lombadas improvisadas

Mas o conforto do asfalto, ironicamente, faz a população conviver com um novo drama. As ruas do bairro têm, hoje, um trânsito como nunca se viu. A Avenida Oziel Alves Pereira, por exemplo, se tornou via estratégica para todo motorista que entra e sai do bairro. E, ladeira abaixo, os condutores irresponsáveis aceleram fundo, e deixam os moradores apavorados.

“Acontece que o asfalto chegou, mas a sinalização não”, reclama o cozinheiro Perci Barbosa, de 46 anos. Mineiro de Porteirinha, que mora no Eldorado dos Carajás há 22 anos, ele admite que a qualidade de vida do bairro melhorou muito, principalmente desde 2015, quando a criação do distrito do Ouro Verde aprimorou os serviços públicos no bairro. Mas ele sabe que as mudanças são lentas. “O povo teve se acostumar com os carros freando, com os motoqueiros empinando. A nossa criançada passou a correr risco”, diz.

E, enquanto não chegam as placas e a sinalização de solo, a própria população de vira. Duas lombadas foram instaladas por vizinhos na avenida. A distância entre uma e outra é muito pequena. Algo em torno de 20 metros. Algo que, segundo Perci, não ganhou muitos elogios dos engenheiros da Prefeitura. Não faz mal: agora o motorista passa pela primeira lombada e não tem tempo de ganhar velocidade antes de chegar à segunda. “Certo, certo. Bonito não está. Mas, pelo menos, as crianças brincam na rua sem medo. A Emdec melhora a sinalização quando puder”, resume.

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Rogério Verzignasse