Publicado 24 de Janeiro de 2018 - 21h19

Por Inaê Miranda

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Inaê Miranda

DA AGÊNCIA ANHANGUERA

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A condenação do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva em 2ª Instância deve trazer estabilidade para o cenário político e econômico do País em médio prazo, mas o momento ainda é de incertezas, segundo lideranças de Campinas. Enquanto partidos de situação defendem que a Justiça foi feita e deve ser respeitada, a oposição promete resistência e defende o direito do político se candidatar à presidência da república novamente. A condenação do petista em primeira instância foi confirmada ontem por três desembargadores do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, que ampliaram sua pena de nove anos e seis meses para 12 anos e um mês de prisão.

O prefeito Jonas Donizette (PSB) considerou que a Justiça tem que ser igual para todos, independente do cargo que a pessoa ocupa e que o País com base sólida só se constrói quando a Justiça é efetiva. “O resultado da Justiça, já em segunda instância, tem que ser respeitado por todos”, disse ele. Para o presidente da Câmara, Rafa Zimbaldi (PP), a condenação mostra que houve investigação e comprovou participação de Lula e do PT no processo de corrupção. “É importante que com essa condenação a própria Justiça Eleitoral consiga fazer com que a população tenha clareza de que ele não pode participar das eleições desse ano porque muitas vezes o político sai candidato sem ter a ficha limpa e isso prejudica o processo eleitoral”.

Vice-presidente da Associação Comercial e Industrial de Campinas, Adriana Flosi afirma que a economia de Campinas e região refletirá o contexto econômico nacional e está evoluindo para uma estabilidade. “Se for confirmada, a melhoria dos indicadores será determinante para o ritmo dessa evolução. Quanto ao contexto político, ainda haverá muita indefinição por causa das costuras

políticas no primeiro semestre para a eleição presidencial, inclusive por conta dos recursos aos quais Lula tem direito”, afirmou. Daniel Blikstein, presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, seção Campinas, disse que nesse ou em qualquer outro caso, a decisão judicial deve ser respeitada, transcorridos todos os recursos, pois foi proferida por um tribunal regularmente constituído e respeitados os princípios democráticos da ampla defesa e do contraditório.

O deputado Carlos Sampaio (PSDB) afirmou que a condenação de Lula, de acordo com a Lei da Ficha Limpa, o torna inelegível. “Essa é apenas a primeira das sete ações penais em que o ex-presidente é réu. A justiça foi feita e, finalmente, Lula começa a pagar pelos crimes que cometeu contra nosso país", afirmou.

Para o PCdoB a condenação do ex-presidente Lula é um arbítrio, o ponto culminante de um verdadeiro processo de exceção. Lula foi submetido a um massacre midiático permanente, que buscou jogar lama sobre o seu nome. “É preciso garantir a resistência e defendemos o direito de Lula ser candidato”, diz Márquia Quintanilha, presidente do partido. Ela afirma que o PCdoB terá candidato próprio, mas defende o direito de Lula se candidatar. “O debate político tem ser nas urnas”, defendeu.

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