Publicado 24 de Janeiro de 2018 - 16h13

Por Adagoberto F. Baptista

Fotos pediatra foto infectologista são recentes. Feitas pelo Leandro Torres/AAN

Virgínia Alves arte quem não pode tomar

DA AGÊNCIA ANHANGUERA

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OMS

A Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou um novo informativo sobre a situação da febre amarela no País. A OMS espera que a força tarefa para realizar uma campanha de vacinação em massa, incluindo as doses fracionadas, possa limitar a transmissão da patologia.

Apesar das expectativas serem positivas, a Organização das Nações Unidas aponta que devido ao grande número de doses e alcance, a campanha de vacinação terá grandes desafios logísticos. O comunicado divulgado pela OMS, diz ainda que embora as medidas adotadas tenham contribuído para a ocorrência de menos casos, a quantidade de pessoas ainda não vacinadas — e que continuam a viver em regiões favoráveis à transmissão do vírus da febre amarela — representa um risco elevado para a mudança no atual padrão de transmissão.

O mosquito Aedes Aegypti, transmissor da dengue, zica e outras doenças, é uma das preocupações também para o vírus da febre amarela. Apesar desta forma de transmissão ainda não acontecer no Brasil, o infectologista destaca que acontece em outros países e é preciso combater o mosquito. “O homem doente acaba infectando o Aedes, que depois pode transmitir para outra pessoa”, explica o infectologista e professor Rogério de Jesus Pedro, da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

Desde 1942 o Brasil não é tem casos da febre amarela urbana. Atualmente, o País é afetada apenas pela febre amarela silvestre – transmitida pelos mosquitos Haemagogus e Sabethes. O comunicado diz ainda que não existe nenhuma evidência de que o mosquito Aedes Aegypti, presente nas áreas urbanas, esteja envolvido na transmissão.

O informativo menciona também que, em 11 de janeiro de 2018, um caso de febre amarela foi confirmado na Holanda em uma pessoa que esteve de 19 de dezembro de 2017 a 8 de janeiro deste ano nos municípios de Mairiporã e Atibaia, área onde o vírus causador da doença circula atualmente. O paciente, que não tinha histórico de vacinação, apresentou sintomas de febre alta, dor de cabeça, mialgia, náuseas, vômitos e diarreia.

E quem não pode tomar a vacina?

Doadores de sangue, gestantes, bebês menores de nove meses e idosos estão entre os grupos com contraindicação para a vacina por causa de riscos de reações adversas graves. O professor Rogério ressalta que evitar esses lugares é a forma mais eficaz de se proteger contra a febre amarela. Além disso, o uso de repelentes e atividades normais do dia a dia também ajuda na proteção.

Apesar de Campinas até o momento não ser considerada uma área de risco, existem cidades na região administrativa do município que estão enfrentando grandes problemas com a doença. A cidade de Atibaia, localizada a 63,8 quilômetros de Campinas, é uma cidade com uma grande área de mata, recebe muitos turistas e segundo a Secretaria Estadual de Saúde, corresponde a 11,1% dos casos da doença do Estado.

Como o Correio já havia mostrado, a Prefeitura de Campinas está preocupada com a aproximação do Carnaval, que é quando muitos campineiros acabam visitando Atibaia. O professor da Unicamp ressalta que quem não pode tomar a vacina, não deve ir até as cidades que demonstram ter grande potencial para a transmissão da doença. “Quem não puder tomar a vacina, a primeira coisa é evitar áreas de risco de transmissão da doença”, explica.

Já para quem mora em áreas onde aconteceram as mortes de macacos contaminados, por exemplo, é recomendado o uso de repelentes, roupas de mangas longas, calças e meias. “É importante lembrar que precisa ser uma roupa mais larga, não pode ser justa. Porque se a roupa for fininha, mesmo assim o mosquito consegue picar”, orienta. O uso de repelentes, tela nas janelas e mosquiteiros, também auxiliam na proteção.

Os bebês que não podem tomar a vacina também tem deixado muitas mães em estado de alerta. O pediatra Aries Borges, de Campinas, explica que o cuidado deve ser redobrando, lembrando sempre que o sistema imunológicos dos bebês são mais frágeis. Ele ressalta que é importante que a mãe, pai e todos os familiares que tenham contato direto com criança, procure um centro de saúde e tome a vacina.

“A principal recomendação é essa, que os adultos sejam vacinados. Repelentes só pode usar a partir dos seis meses, os repelentes a base de icaridina são mais eficientes para uso infantil”, diz o médico. Ele relembra ainda que é importante que os pais não levem as crianças para as áreas de riscos, principalmente na beira do Rio Atibaia. Segundo o pediatra, os moradores da cidade, se possível, devem evitar até os passeios no Distrito de Souza, área de mata e zona onde foram encontrados os macacos mortos no ano passado. É importante lembrar que os bebês menores de seis meses não podem fazer uso de repelentes. Nesse caso, o uso de roupas longas e mosquiteiros são essenciais.

A vacina é contraindicada também para as mães que amamentam. A recomendação do pediatra é que as mães esperem a criança fazer seis meses para tomar a vacina. O infectologista vai além e diz que é importante que as mães se programem. “É preciso fazer uma janela de dez dias depois que toma a vacina, então é importante a mãe se programar para retirar todo esse leite e organizar a rotina da criança”, explica. Ele sinaliza ainda que é importante que antes de pausa na amamentação, é importante que as mães procurem ajuda no banco de leite, para que a produção de leite não seja interrompida em decorrência da pausa.

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Adagoberto F. Baptista