Publicado 04 de Janeiro de 2018 - 19h21

Por Adriana Leite e Silva

Adriana Leite

[email protected]

Da Agência Anhanguera

Se a geração de empregos ainda não permite a recolocação de todo o contingente de trabalhadores que perdeu o emprego durante a crise, apostar em um negócio próprio é a saída para muita gente que antes atuava com carteira assinada. Em 2017, a quantidade de microempreendedores individuais (MEIS) cresceu quase 15% na cidade. Em janeiro, havia mais de 50 mil pequenos negócios inscritos no programa. O ano fechou com mais de 57 mil.

O regime especial que facilita a abertura se transformou em uma opção de geração de renda para muitos trabalhadores que ficaram sem um emprego. Especialistas afirmaram que a abertura de pequenos negócios ajudou a fomentar a economia. Mas é preciso se preparar antes de abrir as portas de uma empresa.

O economista da Associação Comercial e Industrial de Campinas (Acic), Laerte Martins, afirmou que a taxa de desemprego na cidade caiu em decorrência da maior abertura de postos de trabalho no ano passado, mas, também, porque cresceu a quantidade de MEIs. “Fechamos o mês de novembro com saldo positivo de empregos. Neste ano, houve mais geração de postos de trabalho. Mas a quantidade ainda não é suficiente para recolocaro grande número de trabalhadores que ficou sem uma ocupação. O MEI ajudou muito porque foi uma opção de geração de renda”, disse.

De acordo com dados divulgados pelo Portal do Empreendedor (MEI), havia 50.287 microempreendedores inscritos no programa no mês de janeiro do ano passado em Campinas. No mês de dezembro de 2017, a quantidade havia subido para 57.931.

Segundo dados do portal, que agrega informações oficiais do programa, a faixa etária que mais concentra MEIs é de 31 a 40 anos, com 18.712 negócios. Os empreendedores de 41 a 50 anos formam o segundo grupo com 13.333 pequenas empresas e os empresários entre 21 e 30 anos são o terceiro.

A maioria dos microempreendedores individuais é de nacionalidade brasileira. Mas há estrangeiros que abriram pequenos negócios na cidade. Na lista das empresas comandadas por pessoas que nasceram em outros países, há 48 empresas que são de colombianas. Outras 45 empresas são de peruanos. E tem ainda 36 empreendimentos cujos donos são portugueses. No total, são 52 nacionalidades, entre elas eslovaca, sérvia-montenegrina e congolesa.

Saída

Durante quase oito meses, entre 2016 e 2017, o vendedor Maurício Lima, de 22 anos, procurou emprego em comércios. “Eu tinha experiência, mas não era tanta assim. Eu estava disputando com outros candidatos que trabalharam durante uma vida inteira no setor e ficaram sem trabalho por conta da crise. A disputa era complicada porque eles aceitavam ganhar menos. Chegou uma hora que desisti de procurar e resolvi abrir um negócio próprio”, contou.

Ele disse que, junto com a mãe, vende salgados na porta de empresas. “Como queríamos vender para festas de empresas, e no futuro para buffets, decidimos virar MEI. A empresa está no nome dela. O negócio está indo bem. A comida da minha mãe é ótima. Como MEI, também conseguimos dinheiro mais fácil no banco e comprar como empresa nos atacados”, afirmou.

Elizabete Cristina Lins, de 39 anos, foi auxiliar administrativo em uma empresa durante 15 anos. Depois que a firma demitiu mais da metade dos funcionários, ela conseguiu apenas bicos e empregos temporários. “Muitas vezes, nem compensava sair de casa para ir ao local do bico. Mas como estava desesperada, acabava aceitando”, comentou.

Ela disse que decidiu apostar na venda de roupas e cosméticos. “Comecei vendendo para os parentes e amigos no ano passado. Percebi que tinha futuro e me regularizei no final do ano. Meu marido também me ajuda. Sonho em ter uma loja física. Por enquanto, levo a roupa na casa do cliente para que ele possa experimentar”, afirmou.

Regras

Por mês, o empresário inscrito no MEI paga em impostos entre R$ 48,70 até R$ 53,70, dependendo da atividade. O teto de faturamento anual subiu de R$ 60mil para R$ 81 mil. Para especialistas, a elevação vai ajudar a ampliar o número de empreendimentos que poderão usufruir do regime especial.

Elemento

Ranking das atividades exercidas pelos MEIs em Campinas:

5.198 empresas - cabeleireiro e manicure

3.936 empresas - comércio varejista de artigos e acessórios de vestuário

1.874 empresas - obras de alvenaria

1.832 empresas - outras atividades de tratamento de beleza

1.750 empresas - promoção de vendas

Fonte: Portal do Empreendedor

Escrito por:

Adriana Leite e Silva