Publicado 02 de Janeiro de 2018 - 19h11

Por Marcelo Andriotti

Marcelo Andriotti

Da Agência Anhanguera

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A indefinição política para as eleições de outubro de 2018 ainda afeta a economia e atrasa investimentos privados na opinião de especialistas. Empresários da região de Campinas acreditam que a economia está se desvencilhando da turbulência política, como mostrou o Correio nesta semana, mas a retomada ainda é lenta. De um lado, o ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva, líder nas pesquisas, aguarda decisões da Justiça para saber se sua candidatura será viabilizada. As propostas econômicas de Jair Bolsonaro, segundo colocado, são pouco conhecidas. E outros principais partidos ainda não têm seus candidatos definidos.

Para o economista Fabrício Pessato, professor da graduação e pós-graduação da DeVry Metrocamp, o mercado prevê que Lula não conseguirá ser candidato e dá sinais que, sem o ex-presidente, a economia poderá se recuperar de forma mais consistente.

“Mas é preciso considerar que, o que é bom para o mercado nem sempre é bom para o Brasil, para a democracia ou mesmo para economia. O mercado visa o lucro e não se preocupa com o bem-estar social ou outros aspectos”, avalia.

Apesar do mercado ter alcançado altos lucros nos governos Lula, o ex-presidente não é o preferido dele por representar uma política em que o estado é mais presente, com investimentos sociais e incentivos econômicos, mesmo que signifique menor economia governamental para o pagamento de juros, por exemplo.

“Também há uma percepção de que Lula não terá as mesmas condições econômicas e políticas para repetir o crescimento dos seus dois primeiros governos. E terá dificuldades na articulação política, mas isso também ocorrerá com candidatos de centro ou de direita”, afirma.

Independente das posições do mercado, ele acredita que os empresários ainda aguardam por mais clareza no cenário eleitoral para poder definir investimentos. “Os empresários esperam é estabilidade para que possam investir prevendo retorno em seus negócios”, diz.

O cientista político Pedro Rocha Lemos, do Instituto Federal de São Paulo, campus Jundiaí, avalia que entre os candidatos a presidente o mais incerto é Bolsonaro, que se apresenta como liberal nos aspectos econômicos, mas sem apresentar propostas claras.

“Se Lula e o governador Geraldo Alckmin forem candidatos, o mercado e os empresários já conhecem mais suas linhas políticas e propostas, se adaptando sem maiores impactos. O mercado se manifesta de um lado ou do outro, mas depois das eleições é maleável com qualquer um que vença”, diz.

Lemos ressalta que, independente dos candidatos, uma questão econômica muito importante é a redução da desigualdade para o Brasil voltar a crescer. “Muitos pregam menos estado, mas esquecem que isso significa menos educação, saúde, segurança. O que é preciso é eficácia para combater a corrupção e para que os gastos públicos sejam mais bem aplicados”, diz.

O economista Pessato também alerta que, mesmo que a economia se recupere, a massa salarial deve continuar em baixa. “A reforma trabalhista deve fazer que apareçam mais trabalhadores com contratos intermitentes, com menores ganhos. Já estamos vendo isso ocorrer na área de educação e deve ocorrer em outras áreas”, diz, ressaltando que isso traz reflexos negativos na economia e na Previdência.

Tecnologia

Para a economia específica da região de Campinas, tanto Lemos quanto Pessato ressaltam para a importância das propostas tanto dos candidatos à Presidência quanto os que concorrerão ao governo estadual e vagas no legislativo, em relação aos investimentos em ciência e tecnologia.

“O parque tecnológico da região de Campinas é essencial para o crescimento econômico. Por isso, as propostas desses candidatos para o setor devem ser vistas com atenção”, afirma Pessato. Recentemente, cortes de 42% nas verbas do Ministério das Ciências, Tecnologia, Inovação e Comunicação afetaram a manutenção de importantes centros de pesquisa da região, colocando em risco pesquisas que podem impactar a economia nacional, principalmente no setor petrolífero, agrícola, de geração de energia e de medicamentos.

“Os centros de pesquisa da região são estratégicos para a economia regional e nacional. É importante a manutenção dos investimentos e evitar privatizações”, afirma Lemos. Para ele, a mesma preocupação vale para o setor petrolífero, também com forte presença na região.

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