Publicado 01 de Janeiro de 2018 - 15h51

Por Carlos Augusto Rodrigues da Silva

Carlos Rodrigues

Da Agência Anhanguera

[email protected]

O currículo de Karla Cristina Martins da Costa é riquíssimo. Contém passagens por potências do basquete brasileiro, clubes europeus e o ápice na seleção, com três Jogos Olímpicos disputados. E essa história vitoriosa tem tudo a ver com Campinas. Embora tenha nascido em Brasília, os primeiros passos da carreira de sucesso da ala foram por aqui, mais especificamente em dezembro de 1993, quando passou numa peneira da Ponte Preta. De volta a cidade para liderar o projeto do Vera Cruz Basquete, a jogadora relembrou o passado e projetou o futuro em entrevista ao Correio Popular.

Desde criança, Karla sempre foi apaixonada pelo basquete, mas sabia que, em Brasília, seria complicado realizar o sonho de se tornar uma profissional. Na época, o estrelar time da Ponte Preta era o grande objetivo. E, quando surgiu a chance da peneira, aos 15 anos, ela não pensou duas vezes. “Se eu não saísse de Brasília, meu sonho morreria. A Ponte era o melhor time que tinha, todas as meninas queriam fazer parte do elenco”, conta. “Quando houve a peneira, enchi o saco dos meus pais para estar aqui. A contraproposta era que eu fosse aprovada na escola. Estudei bastante, me dediquei e passei de ano para não perder essa chance”.

Quando chegou, Karla percebeu que não seria nada fácil, já que teria que competir com mais de 100 meninas. “Tomei um susto porque havia meninas do Brasil inteiro, o ginásio do Paineiras estava lotado. Mas era o meu sonho e eu tinha que dar meu melhor. Era a única chance. Quando separaram os times e a bola subiu, cada uma tinha que mostrar seu talento. Consegui me diferenciar das outras meninas e, no final de dois dias, fui uma das escolhidas”, relembra.

A ala foi, realmente, se destacou bastante naquela peneira, como mostrou a reportagem do Correio Popular no dia seguinte (14 de dezembro de 1993). A atuação dela foi definida como um show e proporcionou até aplausos das concorrentes. Não à toa, a matéria está guardada pela família até hoje. Quem cuida dessa relíquia é a dona Maria Madalena, de 96 anos, avó de Karla. “Eu sabia que tinha o jornal em casa, mas fizemos uma mudança e aí não dá para achar mais nada. Foi quando na semana passada meu irmão mandou a foto e falou que estava com a minha avó, e ela super-orgulhosa”

A participação naquela peneira foi só o início de uma carreira mais do que consolidada. Karla brilhou no Brasil, no Exterior e esteve nos Jogos Olímpicos de Atenas (2004), Pequim (2008) e Londres (2012). Durante as últimas nove temporadas, atuou na equipe de Americana e ganhou praticamente tudo que disputou.

Agora, aos 39 anos, ela tem a oportunidade de voltar para o local onde tudo começou. O sentimento, logicamente, não poderia ser diferente, e Karla quer, assim como em 1993, marcar essa nova passagem pela cidade com alegrias. “Me sinto em casa. No dia em que pisei aqui no Paineiras, fiquei emocionada. Há até uma sala aqui com nossos troféus, isso mexeu comigo”, revela. “Quando ficou acertado que o projeto seria em Campinas, eu sabia que teria que me dedicar ainda mais, independentemente da idade, do condicionamento físico. O que vale nesse momento é paixão e isso está transbordando”, conclui Karla.

Escrito por:

Carlos Augusto Rodrigues da Silva