Publicado 25 de Janeiro de 2018 - 5h30

O presidente Michel Temer garantiu a empresários de todo o mundo e aos mercados que a recuperação econômica do Brasil “não está ameaçada pelas eleições” e que não existe alternativa às reformas. Em seu discurso diante de empresários no Fórum Econômico de Davos e sob a pressão do rebaixamento da nota de risco do País, ele insistiu na tese de que está “transformando o Brasil” e não deixou de atacar governos passados, alertando para o populismo econômico e lembrando aos executivos que herdou uma crise. “Sei que muitos podem estar se perguntando se continuaremos nesse caminho, se nossa jornada não estaria ameaçada pelas eleições. Permitam-me dizer-lhes, sem rodeios e com convicção: completaremos nossa jornada”, disse.Nos últimos dias, alguns dos principais empresários e organizadores de Davos deixaram claro que as dúvidas que existem sobre o Brasil são de natureza política, principalmente por conta das eleições e do julgamento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.Sem mencionar uma única vez o processo em Porto Alegre, Temer procurou passar uma mensagem de tranquilidade aos mercados. “O Brasil que vai às urnas em outubro sabe que a responsabilidade dá resultados. Traz equilíbrio das contas, crescimento e empregos. Viabiliza políticas sociais. Hoje, os principais atores no Brasil, políticos e econômicos, convergem em que não há alternativa à agenda de reformas que estamos promovendo. O espaço para uma volta atrás é virtualmente inexistente”, garantiu.Convocação

Como já havia anunciado, Temer usou o palco para convocar os investidores a apostar no Brasil. “Trago-lhes uma mensagem clara: o Brasil está de volta. E o Brasil que está de volta é um País mais próspero, um País mais aberto, um País de mais oportunidades de investimentos, de comércio, de negócios”.O presidente apresentou os bons números do País e insistiu que a economia voltou a crescer. “A inflação, que chegara a dois dígitos, fechou 2017 novamente sob controle, em menos de 3%. Os juros estão caindo de forma consistente e atingiram seu menor patamar histórico. As empresas estatais, que haviam amargado prejuízos bilionários, agora têm lucros expressivos”, enumerou.Outro ponto do discurso foi sua promessa de que as reformas continuarão. “Levamos adiante uma ampla agenda de reformas para modernizar a economia, o ambiente de negócios, o mercado de trabalho, a gestão pública, a administração de empresas estatais. Uma agenda de reformas que é reconhecida como a mais abrangente implementada no Brasil em muito tempo. Nosso próximo passo é consertar a Previdência, tarefa em que estamos muito empenhados”, disse. “Nossa agenda não se esgota na Previdência. Até o final do ano, queremos também promover a simplificação de nosso sistema tributário, para facilitar a vida do empresário, do trabalhador e do cidadão brasileiro”, concluiu.Populismo

Para explicar a situação do País, Temer não deixou de criticar os governos passados e indicou que, em sua gestão, a meta era a ser, acima de tudo, responsável. “Ao lidar com a crise que herdamos, rejeitamos, desde logo, os falsos atalhos populistas. Era preciso governar com visão de longo prazo. Nosso diagnóstico foi e é inequívoco: o populismo nos legou uma crise gravíssima de origem fiscal - e somente a responsabilidade nos tiraria dessa crise. É com responsabilidade que temos atuado”.Temer ainda apontou que adotou transparência em relação às contas públicas, revelando, “sem meias palavras”, qual era a situação fiscal do País.Segundo ele, como resultado de algumas das reformas que o governo conseguiu fazer, o déficit fiscal primário ficou “abaixo da meta e bem abaixo das expectativas” no ano passado. Mas ele insistiu que a responsabilidade do governo também é social. “São duas faces de uma mesma moeda: sem responsabilidade fiscal, a responsabilidade social é mero discurso vazio. Apenas com as contas em ordem temos crescimento e empregos; apenas com as contas em ordem temos o espaço orçamentário para políticas sociais que são indispensáveis em um País ainda tão desigual como o nosso”.Numa crítica ao governo de Dilma Rousseff, o presidente insistiu que mudou sua relação com o Poder Legislativo. “Antes esgarçadas, as relações entre o governo e o Congresso Nacional foram recompostas - e o Legislativo, como deve ser em democracias, tornou-se protagonista da obra coletiva que é a reconstrução do Brasil”, afirmou. Num discurso cuidadosamente construído para agradar aos empresários, Temer tentou sinalizar que sua gestão é marcada pela eficiência. “Aprovamos reformas cruciais para melhorar a produtividade na economia, para aumentar a competitividade do produto brasileiro. Com a reforma trabalhista, trouxemos nossa legislação laboral, concebida há quase 80 anos, para o século XXI”, disse. (Do Estadão Conteúdo)