Publicado 25 de Janeiro de 2018 - 5h30

Ano novo, emprego novo. É o que todo trabalhador que está fora do mercado espera para este ano - e pode ser que nem precise esperar tanto. Aos poucos, o mercado de trabalho vem se recuperando na região de Campinas. Empresas de recrutamento apontam para uma alta e quase 30% no número de vagas abertas pelas empresas nos últimos três meses.

Nos serviços públicos de intermediação de mão de obra, o movimento está menor do que no ano passado - mas o motivo é que muitos candidatos estão deixando de ir presencialmente em busca de vagas e apostam na internet para tentar uma oportunidade nas empresas.

O gerente de Negócios da ManpowerGroup, Marcelo Medeiros Hornung, afirmou que desde o ano passado a oferta de vagas de emprego está crescendo no mercado. “Se analisarmos os meses de novembro e dezembro de 2016 e janeiro de 2017 com o mesmo período do final de 2017 e este primeiro mês de 2018, temos um crescimento de 29% na quantidade de vagas abertas”, disse.

Ele comentou que a variação é ainda maior quando é analisado janeiro de 2017 e o mesmo período deste ano. “Fizemos uma comparação entre as posições em aberto na RMC (Região Metropolitana de Campinas) no começo do ano passado e neste início de 2018. No ano anterior, tínhamos 38 posições em aberto. Hoje, temos 118” - mais de três vezes o número de 2017. Hornung salientou que pesquisa realizada pela empresa de recursos humanos no Brasil mostrou que os empregadores sinalizam com o aumento das contratações em 2018.

“A retomada da indústria vem impulsionando as admissões de mão de obra na região de Campinas. Segmentos importantes como automobilístico, eletrônico e de alimentos e bebidas estão recuperando o nível de produção e voltaram a contratar trabalhadores”.

O executivo disse que o crescimento é alicerçado pela abertura da vagas em áreas operacionais, mas que as empresas também voltaram a admitir técnicos. “As empresas voltaram a contratar profissionais como engenheiros e técnicos. Apesar de o País ter falta de mão de obra qualificada, com a crise econômica as empresas também demitiram técnicos e especialistas”, comentou.

Hornung ressaltou que os salários das vagas ofertadas pelas empresas por meio da ManpowerGroup mantiveram o mesmo nível pago antes da crise. “A média salarial varia de R$ 1.200,00 a R$ 8.000,00. As questões econômicas dos últimos anos não impactaram no valor dos salários e nem os benefícios pagos aos trabalhadores. O mercado sofreu foi com a diminuição de vagas de trabalho. Tivemos uma escassez das oportunidades de emprego”, explicou o executivo.

Ele comentou que as novas regras determinadas pela Reforma Trabalhista do ano passado, como o trabalho intermitente (no qual o trabalhador fica à disposição da empresas até ser chamado para a execução de um trabalho com período determinado) ainda são pouco usadas pelas empresas da região. “Talvez elas estejam esperando que o momento político se estabilize. O trabalho intermitente já é uma realidade há muito tempo no setor de tecnologia, onde muitos profissionais recebem por projeto. Na indústria, o padrão é mais tradicional, com contrato com carteira assinada. Mas é uma questão de tempo para que sejam realizadas mudanças na forma de admissão do setor industrial”, previu.

Vagas

Nesta semana, o Programa Emprega São Paulo/Mais Emprego, agência ligada à Secretaria do Emprego e Relações do Trabalho (Sert), tinha 140 vagas em áreas como serviços, comércio e indústria na região de Campinas. A coordenadora do Centro Público de Atendimento ao Trabalhador (Cpat) de Campinas, Silvia Helena Duenha Garcia, afirmou que muitos trabalhadores estão usando os meios digitais para buscar emprego.

“As ferramentas disponíveis hoje permitem que os trabalhadores desempregados, que muitas vezes não têm dinheiro para se deslocar, consigam se candidatar às vagas disponíveis em serviços como o Sine (Sistema Nacional de Emprego) usando a internet”, disse.

Perfil

O gerente de Negócios da ManpowerGroup disse que as empresas procuram por profissionais que tenham um histórico de estabilidade em outros empregos. “Outro fator importante é que o trabalhador conheça a empresa na qual está buscando uma vaga. O candidato deve buscar informações sobre a cultura da empresa, os negócios nos quais ela atua e outros dados relevantes. Também deve ter conhecimento da área para a qual vai se candidatar. Não adianta um currículo cheio de atribuições, mas a pessoa não atuou em quase nenhuma delas. Melhor focar na área em que o candidato tem mesmo experiência e conhecimento”, ressaltou.

Desempregado há três meses, Antônio Orozimbo, de 43 anos, contou que aceita um trabalho em qualquer área. “Procuro por qualquer vaga, porque a situação está difícil”, afirmou. Ele acha que as empresas estão oferecendo mais vagas agora do que em boa parte do ano passado. “E os salários também estão melhores”.

Formado em costura industrial e estilismo, John Henrique Celestino Silva, de 31 anos, tem uma opinião diferente. “A oferta de vagas caiu e os salários continuam os mesmos”, comentou Silva, que também procura por uma vaga com carteira assinada em qualquer área. “O mercado de trabalho ainda está muito difícil”.

Há sete meses, Aparecido Santos Silva, de 51 anos, procura por um emprego. “Tenho formações profissionais em cozinha, segurança e portaria, mas não estou encontrando nada com carteira assinada. Os salários estão menores e tem empresa estão exigindo até que a gente more perto do trabalho. Mas quem está desempregado não pode escolher”, disse. (Colaborou Beatriz Maineti)