Publicado 05 de Janeiro de 2018 - 5h30

Se a geração de empregos ainda não permite a recolocação de todo o contingente de trabalhadores que perdeu o emprego durante a crise, apostar em um negócio próprio tem sido a saída para muita gente que antes tinha carteira assinada. Em 2017, a quantidade de microempreendedores individuais (MEIS) cresceu quase 15% na cidade. Em janeiro, havia mais de 50 mil pequenos negócios inscritos no programa. No fim de dezembro, o número chegou a 57 mil.

O regime especial que facilita a abertura de uma empresa se transformou em uma opção de geração de renda para muitos trabalhadores que ficaram sem emprego. Especialistas confirmarm que a abertura de pequenos negócios ajudou a movimentar a economia - mas lembram qeu é preciso se preparar antes de abrir as portas.

O economista da Associação Comercial e Industrial de Campinas (Acic), Laerte Martins, afirmou que a taxa de desemprego na cidade caiu em boa parte por conta da abertura de postos de trabalho no ano passado, mas que a participação das MEIs também precisa ser levada em conta.

“Fechamos o mês de novembro com saldo positivo de empregos. Neste ano, houve mais geração de postos de trabalho. Mas a quantidade ainda não é suficiente para recolocaro grande número de trabalhadores que ficou sem ocupação. O MEI ajudou muito porque foi uma opção de geração de renda”, disse.

De acordo com dados divulgados pelo Portal do Empreendedor (MEI), havia 50.287 microempreendedores inscritos no programa no mês de janeiro do ano passado em Campinas. No mês de dezembro de 2017, a quantidade havia subido para 57.931.

Segundo os dados do portal, que agrega informações oficiais do programa, a faixa etária que mais concentra MEIs é de 31 a 40 anos, com 18.712 negócios. Os empreendedores de 41 a 50 anos formam o segundo grupo com 13.333 pequenas empresas e os empresários entre 21 e 30 anos são o terceiro.

A maioria dos microempreendedores individuais é brasileira - mas também há estrangeiros que abriram pequenos negócios na cidade. Entre as empresas comandadas por pessoas que nasceram em outros países, há 48 empresas de colombianos, 45 de peruanos e 36 empreendimentos cujos donos são portugueses. No total, são 52 nacionalidades das mais diversas, de eslovacos a sérvios-montenegrinos e congoleses.

Saída

Durante quase oito meses, entre 2016 e 2017, o vendedor Maurício Lima, de 22 anos, procurou emprego no comércio. “Eu tinha alguma experiência e estava disputando com candidatos que trabalharam durante uma vida inteira no setor e ficaram sem trabalho por conta da crise. Era complicado porque, além de terem mais tempo no ramo, ainda aceitavam ganhar menos. Chegou uma hora que desisti e resolvi abrir um negócio próprio”, contou.

Assim, junto com a mãe, passou a salgadinhos na porta de empresas. “Como queríamos vender para festas de empresas, e no futuro para buffets, decidimos virar MEI. A empresa está no nome dela e o negócio vai bem. Como MEI, também conseguimos dinheiro mais fácil no banco e comprar como empresa nos atacados”, afirmou.

Elizabete Cristina Lins, de 39 anos, foi auxiliar administrativa em uma empresa durante 15 anos. Depois que a firma demitiu mais da metade dos funcionários, ela só coseguia bicos e empregos temporários. “Muitas vezes, nem compensava sair de casa. Mas como estava desesperada, acabava aceitando”.

Por fim, ela também resolveu arriscar e apostou na venda de roupas e cosméticos. “Comecei vendendo para parentes e amigos no ano passado. Percebi que tinha futuro e me regularizei no final do ano. Meu marido também me ajuda. Meu sonho agora é ter uma loja física. Por enquanto, levo a roupa na casa do cliente para que ele experimentar”.

Regras

Por mês, o empresário inscrito no MEI paga em impostos entre R$ 48,70 e R$ 53,70, dependendo da atividade. O teto de faturamento anual está hoje em R$ 81 mil (antes, era de R$ 60 mil) - uma correção que, segundo especialistas, vai ajudar a ampliar o número de empreendimentos.