Publicado 04 de Janeiro de 2018 - 5h30

Integrantes da ala política do governo esperam para os próximos dias a sanção da lei aprovada pelo presidente Michel Temer que permite a capitalização de até R$ 15 bilhões da Caixa Econômica Federal com recursos do FGTS.Segundo uma fonte do governo envolvida nas negociações da proposta, a operação deverá ser aprovada “num prazo muito rápido” após a sanção do presidente. A fonte informou que a costura política já foi feita no Conselho Curador do FGTS para aprovação do empréstimo à Caixa com recursos do fundo. O empréstimo funciona como uma espécie de capitalização. A proposta terá que ser aprovada também pelo Conselho de Administração do banco, presidido pela secretária do Tesouro, Ana Paula Vescovi.Com mais recursos, a Caixa terá condições de emprestar mais ao longo de 2018, ano de eleições. Assim como o Banco do Brasil, a Caixa tem feito empréstimos aos Estados, o que tem provocado uma “ciumeira política”. A disputa pelos recursos da Caixa gerou polêmica depois que o ministro da Secretaria de Governo, Carlos Marun, admitiu que a concessão de empréstimos estaria sujeita ao apoio na votação da Reforma da Previdência em fevereiro.A operação de socorro à Caixa com recursos do FGTS, contudo, sofre resistências do Tesouro Nacional. Mesmo com a votação no Congresso Nacional que deu aval a um socorro de até R$ 15 bilhões para a Caixa, a realização da operação ainda não está garantida.O Tesouro espera a posição do Tribunal de Contas da União (TCU) sobre a regularidade da transação, que vai transformar dinheiro dos trabalhadores depositado no FGTS em capital do banco. Sem a capitalização, a Caixa corre o risco de ter de puxar o freio na concessão de crédito para não descumprir normas internacionais de proteção bancária. A instituição está hoje muito perto dos limites dessas normas.O projeto de socorro aprovado pelo Congresso foi desenhado pelas lideranças do governo em prazo recorde para dar fôlego ao banco para continuar emprestando em 2018. O presidente da Caixa, Gilberto Occhi, disse que aguarda a sanção da lei pelo presidente Michel Temer - mas, já contando com o capital novo, anunciou que está elevando de 50% para 70% a cota de financiamento para a compra de imóveis usados. (Do Estadão Conteúdo)