Publicado 25 de Janeiro de 2018 - 19h05

Para uma novela chegar na televisão ou em outra mídia qualquer, não basta apenas o desempenho de figuras mais conhecidas, como autor, diretor e produtores, por exemplo. Outras funções, no decorrer dos tempos, vieram a se tornar imprescindíveis, dentre elas, o trabalho do instrutor de dramaturgia. Além de participar diretamente de todo o processo, desde o começo, a ele é destinada a função de preparar convenientemente cada um dos convocados, independentemente de nome ou tempo de estrada. Em O Outro Lado do Paraíso, na Globo, esta tarefa é executada pelo também ator João Cunha, repetindo com Walcyr Carrasco e Mauro Mendonça Filho parceria iniciada em Gabriela (2012). Seu trabalho é auxiliar cada um na técnica de construção do personagem e acompanhar, até por questão de uniformidade de conduta, seu desempenho da primeira a última gravação. Daí não surpreender, por exemplo, a regularidade alcançada na atuação de todos. Exemplo do bem, a jovem atriz Fernanda Nizzato na altura de Marieta Severo no capítulo de terça-feira. O instrutor acaba sendo uma espécie de olho do ator, porque assiste aos seus ensaios, interage com ele e precisa estar atento a tudo o tempo todo, porque, ao contrário do teatro, onde se tem o texto completo da primeira à última cena, novela é uma obra aberta. João Cunha já foi stand-in de Selton Mello na série A Mulher Invisível, e apesar de exercer a função de instrutor de dramaturgia há tempos, é a primeira vez que assina como tal, em O Outro Lado do Paraíso.