Publicado 24 de Janeiro de 2018 - 19h05

A Cooperativa Cultural e Artística Ungambikkula — grupo musical que adota uma estética norteada pelo humanismo e pela preservação do planeta —, está com novo espetáculo, Cardinal Zênite, inspirado na jornada dos refugiados. O novo show tem como ponto de partida a canção Pássaro da Noite, que trata especificamente da trajetória dos povos que têm que deixar suas terras para sobreviver. “Como é característica do Ungambikkula, buscamos a valorização de todos os povos, da sabedoria dos povos antigos, das diferentes culturas, mas com foco na situação dos refugiados, analisando a aceitação ou não dessas pessoas”, coloca Anantha Devi, uma das integrantes da “tribo do futuro”, como os integrantes da cooperativa, que adotaram nomes da cultura hindu, se autointitulam

“Cardinal Zênite nos fala sobre uma referência segura que todos necessitamos em movimento de transição, tanto com relação aos refugiados como na nossa situação atual aqui mesmo no Brasil”, afirma o coordenador da cooperativa e diretor-geral do espetáculo, Pavitra Shakti Shankar. Ele destaca que o show é resultado de pesquisas de sons, cores, imagens e muita poesia.

Montagem coletiva do Ungambikkula, o show é composto por 12 músicas, composições de Shankar e Vinadhara Wassuprem. “A proposta é tomar consciência da crise planetária e como sobreviver, pensar na situação do outro e repensar os valores primordiais”, aponta Anhantha. O espetáculo estreou em dezembro e agora abre a temporada 2018 da Cooperativa.

“O novo espetáculo, como os anteriores, é novamente inspirado em todos os povos do mundo, mas destacando os refugiados e sua longa trajetória de luta pela sobrevivência”, aponta Shankar. Além da música, o trabalho tem como base a frase: “mas como você me acolhe sem querer me mudar, sem querer me transformar em você”.

“Quem conhece o grupo e a cooperativa, sabe que nós fazemos bastante pesquisa sobre arquétipos. Nosso trabalho é focado na cura da percepção”, diz Shankar. “Nesse enfoque abrimos em 2015 a temporada Yròkò e as Armadilhas do Tempo, que é um arquétipo sobre a árvore sagrada do candomblé. Yròkò é um orixá que simboliza o tempo. Depois da temporada, a árvore que foi cenário de Yròkò foi doada para o Centro Infantil Boldrini, porque Yròkò significa também a criança”, coloca Shankar. A instalação, que consiste em uma árvore de seis metros de altura em tecido branco, será colocada no novo prédio do hospital que será inaugurado este ano.

Segundo Shankar, em Pássaro da Noite há uma frase que diz: “ter como um cardinal de Norte o sopro, o voo, o ser”. “Assim Cardinal Zênite significa a referência mais alta”, aponta Shankar. Anantha destaca que, para o novo espetáculo, o espaço foi todo reestruturado. “Mudamos as cores, a decoração, tudo. Está muito bonito”, destaca.