Publicado 03 de Janeiro de 2018 - 19h05

Débora Bloch é do tipo que foge de julgamentos precoces. Seja com pessoas ou personagens, a atriz prefere compreender melhor as motivações e necessidades de cada um antes de chegar a uma opinião. É dessa forma que ela consegue entender, e até defender, as ações de personagens torpes, como a oportunista Gilda de Treze Dias Longe do Sol, minissérie já disponível na Globo Play e que chega à tela da emissora na próxima segunda, dia 8 de janeiro. “A Gilda é do tipo que acha que dinheiro e poder podem comprar tudo e dão salvo-conduto para qualquer atitude. O mundo está cheio de mulheres como ela. Quando ela sente que está prestes a se ferrar, dá um jeito de sair por cima e abandonar o barco. É uma pessoa de índole totalmente torta, mas a vida a levou a ver as coisas dessa forma”, resume. Na trama, escrita a quatro mãos por Luciano Moura e Elena Soarez, Gilda é a diretora financeira da Baretti Construtora. Envolvida em esquemas monetários escusos, ela se vê sem saída com o desmoronamento de um dos principais empreendimentos da empresa. Sem se preocupar com a situação dos sobreviventes soterrados nos escombros, ela só pensa em se livrar de qualquer responsabilidade pelo acidente. “Gilda é extremamente prepotente. Vai jurar até o fim que não fez nada errado. Mas, no fundo, ela está desesperada. Nos escombros ou na superfície, todos os personagens estão sob muita pressão”, explica.

No final de 2016, Débora estava reservada para a próxima novela de Lícia Manzo — que foi adiada e ainda passa por ajustes na história — e curtia longas férias quando surgiu o convite para a minissérie de dez capítulos. Ainda colhendo os elogios por sua participação em Justiça, a atriz se empolgou com a possibilidade de fazer mais uma produção de curta duração. Mesmo ciente da importância dos folhetins em sua carreira, são as séries que mais têm feito a cabeça de Débora, seja como telespectadora ou intérprete. “O formato acaba sendo mais atrativo pois os atores conseguem trabalhar de forma cuidadosa e ter domínio sobre o próprio desempenho. Sei para aonde as personagens estão indo e isso evita ansiedade e frustrações”, analisa. O esquema de trabalho de Débora em Treze Dias Longe do Sol primou pela tranquilidade. Depois de ensaios e leitura de texto com parte do elenco, a atriz começou a gravar em dias alternados nas locações e cenários construídos pela O2 Filmes, co-produtora do projeto, em São Paulo. “Como a Gilda não ficou soterrada, não tive de entrar no esquema de 12 horas de gravações, cinco dias por semana, que ficou a maior parte do elenco. Foi um trabalho mais leve sim, mas com cenas de alta voltagem”, justifica.

Longe do papel de vilã desde a afetada Úrsula, de Cordel Encantado, de 2011, a atriz correu atrás de inspirações para compor Gilda com a frieza que ela exigia. Por conta do tom realista do texto, Débora recorreu a referências reais e pesquisou sobre o destino de vítimas, advogados e empresários após construções desastrosas que resultaram em tragédias, como o caso do edifício Palace II, ocorrido em 1998 no Rio de Janeiro. “Até hoje muita gente ainda não recebeu as indenizações. Os responsáveis não pagaram tudo o que causaram às vítimas. A situação é de impotência e impunidade”, lamenta. Muito da construção da personagem foi feita em parceria com Luciano Moura, que além de roteirista, também é o diretor geral da minissérie. “Luciano sabia muito bem o que queria de cada cena. Foi um processo muito rico. Focamos no texto e as cenas foram surgindo”, conta.

Mineira de Belo Horizonte, Débora sempre foi uma atriz de personalidade. Aos 54 anos, ela acredita que foi exatamente esse pulso mais firme sobre a própria arte que a livrou de rótulos. “Sempre corro atrás do que eu realmente quero fazer”, garante. (Da TV Press)