Publicado 02 de Janeiro de 2018 - 19h05

Para não cair na caricatura e ter um resultado tosco como o de outras produções nacionais que flertaram com universo medieval, a Globo fez um grande investimento em tecnologia para criar os cenários de Deus Salve o Rei.

Como o território brasileiro é carente em ambientes que remetam ao período, o ideal seria que todo o elenco viajasse aos países em que produções internacionais deste tipo se desenvolvem. Mas a Globo encontrou um caminho mais barato — e ousado — para sua novela: criou praticamente todos os cenários em computação gráfica.

“Teremos uma gama muito grande de diferentes técnicas em efeitos visuais. Poderia listar facilmente mais de 20, tais como a criação de ambientes virtuais, personagens virtuais, aplicação de multidões, complementação cenográfica, técnicas de simulação de partículas para destruição, entre outros. Os efeitos mais legais serão os imperceptíveis pelo público. Temos um combinado grande de lugares reais com lugares virtuais. Essa mescla faz a história ganhar uma ambiência única e um realismo fantástico", explica Paulo Rabello, diretor de Tecnologia do Entretenimento.

A falta de cenários reais tem feito os atores criarem novas técnicas de atuação. “Temos que olhar para o azul e imaginar um monte de coisas. O acabamento fica impressionante, é um jeito novo de atuar e a gente tem que se abrir para essas tecnologias porque cada vez mais isso vai fazer parte da nossa realidade”, explica o ator Caio Blat.

A tecnologia não se aplica somente aos ambientes virtuais. Em alguns momentos, o público verá determinado ator em cena, mas não saberá se ele realmente estava em plena atuação ou se foi um momento criado por computação gráfica.

“Fizeram um scanner do meu rosto para criar o personagem em 3D porque tem algumas cenas de batalhas que são em 3D e a gente nem precisa ir até a locação. A cena inteira é construída por computação. É algo que eu nunca tinha visto e achei que fosse levar mais um tempo até essa tecnologia chegar aqui", diz Blat. Abaixo ele fala de Cássio, seu personagem, e do preparo para interpretá-lo.

PERSONAGEM

"Ele é o chefe da guarda do rei e é como se fosse o general do exército. Ele tem muita responsabilidade e atua também como conselheiro do rei e da rainha. Cresceu junto com os príncipes e sempre esteve muito próximo ao trono. É o conselheiro, amigo da família real, e o chefe da guarda. Ele é muito fiel ao trono. É o guarda real, totalmente leal, fiel ao rei. O que acontece é que o príncipe que foi preparado para ser o rei, o Afonso (Rômulo Estrela), decide abrir mão do trono e vai embora para outro reino. E quando os dois reinos entram em guerra eles têm que se enfrentar, cada um de um lado. Eles cresceram juntos defendendo aquele trono, e por causa de uma situação política acabam de lados opostos da guerra. Mas ele é totalmente leal. "Os cavaleiros naquela época eram quem carregavam toda a moral e a honra do reino, protegiam os nobres. Eles tinham também essa nobreza.

PREPARAÇÃO

"Foi longa. Cerca de dois meses. Fiz aulas de lutas que foram muito pesadas, tive que treinar com equipamentos, armas e em cima de cavalos, com lanças, e tivemos que ensaiar todas as coreografias. O mais legal foi trabalhar com o elenco para construir esse reino imaginário, todos agem da mesma maneira, e isso é importante para que haja uma coerência naquele reino. Tivemos muitos ensaios, leituras, trabalhos de improviso. Foi muito legal." (Estadão Conteúdo)