Publicado 27 de Janeiro de 2018 - 5h30

Em 2017, concessionárias de rodovias com trechos em Campinas registraram uma queda de 4,1% na coleta de resíduos com relação ao ano anterior. Porém, em comparação aos números das multas aplicadas na região, não se pode contar com a conscientização dos motoristas. Enquanto no ano de 2016 os registros da Polícia Militar Rodoviária mostram 34 autos de infração contra o Artigo 172 do Código de Trânsito Brasileiro (CTB) — jogar lixo na pista —, no ano passado esse número aumentou 32,5%, totalizando 45 autuações pelo mesmo descumprimento.

A CCR AutoBAn, que faz a manutenção das rodovias Anhanguera e Bandeirantes, registrou a diminuição de 8,5% na coleta de resíduos, em comparação com 2016. Já a AB Colinas, que mantém a Rodovia Santos Dummont, entre Itu e Campinas, apontou 7,8% a menos de lixo recolhido em 2017 em todo seu trecho de concessão. A Rota das Bandeiras, administradora da D. Pedro e Anel Viário Magalhães Teixeira, apresentou dados que mostram que o volume de lixo recolhido tem se mantido estável nos últimos anos.

As empresas informaram que diariamente o material coletado é acondicionado em sacos plásticos que são depositados temporariamente nas margens da pista e em momento posterior são recolhidos pelos caminhões, que transportam até uma base operacional para separação entre orgânico e o que é reciclável, para depois ser levado aos locais de destino — como aterros sanitários licenciados ou cooperativas de reciclagem.

Boa parte deste material vem do próprio usuário que trafega pela rodovia e arremessa objetos na pista. Conforme a AB Colinas “os materiais mais encontrados são os de origem plástica, garrafas PET, papel, papelão e metais (latas de alumínio)”. A concessionária informou ainda que existem muitas consequências para o meio ambiente, “O lixo orgânico, por exemplo, como restos de comida deixados em sacos plásticos, é altamente prejudicial à fauna lindeira das rodovias. Ao procurar alimentos nos acúmulos de lixo depositados próximos das pistas, muitos animais acabam ingerindo objetos plásticos, levando à morte por sufocamento.” E acrescentou que “em busca destes resíduos, os animais também podem provocar acidentes, já que invadem as pistas, podendo ocasionar atropelamento”. Inclusive, todo o lixo pode ocasionar obstrução no sistema de drenagem das vias e causar alagamentos.

Analisando o aumento de aplicação das multas entre os anos passado e o anterior, é preciso ficar atento pois, para os motoristas que arremessam resíduos em rodovias é previsto penalidade. O artigo 172 do CTB prevê autuação para quem atirar do veículo ou abandonar na via objetos e substâncias. Considerada infração média, ainda está sujeita a multa e perda de quatro pontos na Carteira de Habilitação.

As concessionárias que realizam a manutenção de trechos de rodovias na cidade têm trabalhado periodicamente com campanhas de conscientização com os usuários e o tema é tratado em diversas ações, realizadas em pontos de grande circulação de motoristas e até nas escolas. As redes sociais e Painéis de Mensagem Variável (PMVs) instalados nas vias também são utilizados como forma de sensibilizar os motoristas.

Motoristas

O desenhista projetista Erick Bangard Pires, de 31 anos, acredita que o costume de arremessar lixo em estradas enquanto se dirige é algo cultural, passado de pai para filho. Ele ressalta que dar o exemplo não é a melhor maneira de influenciar os outros, é a única. “Desde criança abomino essa prática de jogar lixo nas ruas e não cabia mais no lixinho do carro, eu logo arrumei uma sacola para depositar qualquer resíduo.”

Para o motorista de Uber Calebe Kennedy Santos, de 21 anos, a necessidade de se manter um lixinho no carro é real. “Eu não aceito que joguem nada pela janela. Inclusive, quando eu vejo um passageiro com algo na mão para descartar, peço que ele ponha no meu lixo inerno.”

Douglas Felipe Fernandes, de 26 anos é vigilante e demonstrou que joga “lixo no lixo”. “Quantas vezes eu ouvi: Ah! Se eu não jogar lixo não tem serviço pro gari. Isso é inadmissível, mas infelizmente é a realidade. Não são todas, mas, muitas pessoas pensam dessa forma e descartam resíduos em qualquer lugar”, afirmou.