Publicado 27 de Janeiro de 2018 - 5h30

A condenação de Lula da Silva a 12 anos e um mês de prisão é, inegavelmente, um importante fator político. Não pela ação da Justiça, que cumpriu seu papel institucional a despeito das arrogantes tentativas de desqualificação por parte de petistas e simpatizantes, mas por impactar diretamente nos resultados das eleições próximas. Mesmo com a pendência judicial sobre a eventual candidatura do ex-presidente, o Partido dos Trabalhadores promoveu encontro das principais lideranças do partido e de movimentos sociais para hipotecar solidariedade e lançar sua candidatura à Presidência, conforme cronograma pré-traçado antes mesmo do julgamento.

Já está plenamente determinada a linha de argumentação que o PT adotará para tentar manter a candidatura de Lula, mantendo o discurso de vitimização política. No início, Lula teria sido perseguido por seus delatores, depois pelos membros do Ministério Público Federal, pelo juiz Sérgio Moro, pela mídia, depois pelos desembargadores do Tribunal Regional Federal, podendo-se esperar que a pecha de perseguição recairá também sobre o Supremo Tribunal de Justiça, o Tribunal Superior Eleitoral e, finalmente, sobre o Supremo Tribunal Federal. Em todas as instâncias, sempre haverá, na visão petista, um conluio para barrar suas pretensões.

Mais que isso, as manifestações de lideranças têm esbarrado na absoluta ilegalidade. O próprio Lula declarou na quinta-feira que não vê razão para respeitar a decisão da Justiça, em franco e claro desafio às instituições democráticas. O líder do MST João Pedro Stedile foi mais longe, mandando recado para a “dona Polícia Federal e para a Justiça: não pensem que vocês mandam no país”. O presidente da CUT Vagner Freitas, que já sugeriu que o povo pegasse em armas para defender Lula, disse que os movimentos sociais vão enfrentar a decisão nas ruas e desautorizar o TRF-4. A senadora Gleisi Hoffmann chegou a afirmar que as pessoas poderiam matar ou morrer na defesa do ex-presidente. O líder do PT no Senado, Lindbergh Faria afirmou que os brasileiros não vivem numa democracia e que “agora só temos um caminho: a rebelião cidadã e a desobediência civil”.

Tudo não passa de bravatas, certamente. O que foi anunciado como uma grande mobilização nacional de protestos, não passou de eventos cuidadosamente articulados para parecer grandiosos. Ainda assim, se persistir esse tom belicoso das lideranças de esquerda no País, a melhor resposta que poderá ser dada é a aplicação da lei. Lula deveria parar de se comparar a Jesus Cristo e espelhar-se em Barrabás.