Publicado 25 de Janeiro de 2018 - 5h30

Há 40 anos nascia em Campinas o Centro Boldrini, referência no tratamento do câncer infantil. O hospital tem reconhecimento de instituições nacionais e estrangeiras, traduzido em uma galeria de prêmios. É uma história que consagrara a política administrativa baseada na colaboração voluntária da própria sociedade civil, responsável por metade dos R$ 4,5 milhões mensais que mantêm a estrutura impecável. O governo federal e os convênios médicos privados complementam a receita.

O Sistema Único de Saúde (SUS), aliás, contribui com apenas 20% dos recursos. O detalhe é que os beneficiários do SUS representam 70% de todos os pacientes do hospital, e são atendidos absolutamente de graça. Ambulâncias de cidades de todo o Interior passam a cada minuto pela portaria, trazendo pessoas submetidas a tratamento.

Apesar da importância social da instituição, a diretoria não se acomoda. A diretora-executiva Silvia Brandalise se dedica à criação do Fundo Patrimonial de Pesquisa, que vai arrecadar verbas junto a conglomerados privados para o financiamento de serviços como o ambicioso Instituto de Engenharia Celular e Molecular, que começou a ser implementado em 2014. O centro especializado, prevê Silvia, deve mobilizar entre 30 e 40 pesquisadores, na busca de novos - e revolucionários - tratamentos oncológicos.

Utopia? Não, para um grupo de idealistas que nasceu em 1978, em um prédio de apenas 244 metros quadrados, no Cambuí. O dinheiro necessário para a inauguração foi arrecadado junto a empreendedores da cidade, reunidos pelo Clube da Lady, grupo civil ligado a atividades benemerentes. Até os móveis foram conseguidos por meio de doações. A mão de obra voluntária era essencial para o conforto de famílias afetadas por uma doença que, até então, era sinônimo de morte certa.

O tempo passou, a ciência avançou, e hoje cerca de 70% dos pacientes atendidos deixam o centro curados. “Todo projeto bem-sucedido decorre do inconformismo, da insistência. A gente precisa se incomodar com o fato de que 30% dos pacientes ainda morrem. Os investimentos em pesquisa são essenciais para que, logo logo, possamos alcançar a cura plena”, diz a médica. “Hoje o Centro Boldrini tem apenas três pesquisadores. Imagina a eficiência de uma equipe maior de especialistas”.

Alta tecnologia

Ao longo de sua história, o Boldrini já atendeu 30 mil pacientes encaminhados com a suspeita ou o diagnóstico de câncer. É uma média de 750 novos casos a cada ano. De todos os atendidos, cerca de 10 mil continuam em tratamento.

Nas instalações do hospital - 130 mil metros quadrados de área - trabalham 75 médicos, 684 profissionais multidisciplinares e cerca de 500 voluntários. A megaestrutura se destaca pela alta tecnologia dos laboratórios de hematologia, genética e biologia molecular; dos serviços de imagem, radioterapia, quimioterapia e reabilitação. Os 77 leitos de internação são modelados e funcionais, que garantem conforto para pacientes e acompanhantes.

Comemoração

As comemorações pelos 40 anos do Centro Infantil Boldrini começaram ontem, com uma gincana para crianças e adolescentes, na brinquedoteca do hospital. Os pacientes se divertiram e participaram de brincadeiras elaboradas por voluntários do espaço, e ganharam presentes. Hoje, às 11h, acontece no auditório do hospital uma cerimônia festiva, coma inauguração do espaço reformado da quimioterapia. A banda Rock'n Roads se apresenta na brinquedoteca.