Publicado 25 de Janeiro de 2018 - 5h30

Não poderia ser mais eloquente a decisão proferida pelos desembargadores do Tribunal Regional Federal de Porto Alegre (TRF), que não apenas confirmou a condenação de Lula da Silva pelo juiz Sérgio Moro, como ampliou a sua pena para 12 anos e um mês de prisão em regime fechado, em maioria absoluta. Considerando inequívocas as provas documentais e testemunhais apresentadas, a Justiça encerra uma etapa importante do processo, colocando como indiscutível a culpa do ex-presidente. Cabem agora recursos da defesa, através de embargos de declaração, a única brecha jurídica que restou para retardar a aplicação imediata da pena de reclusão e, em função dos prazos possíveis, viabilizar uma eventual candidatura à Presidência. Fica claro que não cabe mais contestação em relação ao acatamento das denúncias, e tampouco a alegação de inocência. Lula é, definitivamente, culpado perante a Justiça brasileira.

Mesmo com todas as evidências e decisões, o discurso petista de perseguição política não arrefece. Em nota oficial, a presidente do Partido Gleisi Hoffmann mantém a lógica atravessada de desqualificar os contrários, classificando o voto dos desembargadores como uma “farsa judicial”, denunciando o que alega ser o “engajamento político-partidário de setores do sistema judicial, orquestrado pela Rede Globo, com o objetivo de tirar Lula do processo eleitoral”. Chega a ser cansativo o argumento sustentado por Lula e seus militantes, que se baseia exclusivamente em enfatizar a condição de vítima perseguida por todos os que contrariam seus interesses, até mesmo margeando o crime de incitação à desobediência civil.

O que importa mais agora é observar o desdobramento e as consequências da condenação de Lula. Há declarada intenção de manter a sua candidatura à Presidência, usando os instrumentos legais que podem estender os efeitos suspensivos. Não há unanimidade entre juristas, mas ministro do TSE declarou ser inevitável a aplicação da lei da Ficha Limpa para impugnar qualquer tentativa de registro da candidatura. Mas no meio petista, o que menos importa agora são as probabilidades, mas a manutenção indefinida de um discurso que dê sustentação a seus propósitos. Falta aceitar que, se ainda persiste uma pequena parcela da sociedade não convencida da culpa de Lula nas denúncias de corrupção, foi formalizada a unanimidade dos juízes que o condenaram. Esvazia-se o discurso de perseguição, o PT entra na encruzilhada de reconhecer os próprios erros, e parar de buscar culpados por tudo de ruim que lhe acontece.