Publicado 25 de Janeiro de 2018 - 5h30

Porto Alegre amanheceu uma cidade triste. Democraticamente tristonha por conta de alguns barulhentos petistas e tantos outros simpatizantes que não entendem valores democráticos.

A bela e tranquila Porto Alegre amanheceu com helicópteros sobrevoando seus parques, jardins e praças, todos eles ausentes de seus velhos aposentados, de senhorinhas e seus filhos, de babás, e, diria até, de seus conhecidos pingaiadas e moradores de rua.

Porto Alegre foi sitiada por uns bravateiros petistas e asseclas. Eles querem, como deseja Gleisi Hoffmann, um cadáver para chamar de seu. Gleisi é a “presidenta” do Partido dos Trabalhadores e, por força de ofício, também é ré na Lava Jato. Ela disse, dias atrás, o que já é de conhecimento público, que para condenar Lula da Silva “vão ter que matar gente”. Lamentável afirmação de uma senhora que não estará na linha de frente de um confronto que ela própria estimula. Plena covardia política, pois.

E é de se lamentar que a classe política se omita diante de tal ameaça. E mais lamentável que o jornalismo nacional ceda a tais ações e, ainda mais lastimável, que abra manchetes para tais bravatas infantojuvenis que, assim espero, não passem de uma festinha típica de desocupados mentais.

Escrevo tais linhas em um final de tarde terciana, ouvindo trovões e torcendo que a chuva venha mansa, sem levar pinguelas e telhados das casas suburbanas. E muito desejo que os três desembargadores do TRF-4 cumpram com os seus ofícios, e, principalmente, atentos à letra da Lei - e surdos, é claro, aos alaridos de petistas e às suas subordinadas massas de manobra.

Vive o Brasil assistindo o sofrimento de 12 milhões de desempregados e um tal Lula da Silva se acha incensado a ponto de ainda querer voltar a governar o País. Lula pode ser condenado, preso, ou ter o direito constitucional de sair candidato a qualquer coisa, ou mesmo ser absolvido – mas ainda vai ter que enfrentar outros processos e, o que mais desejo, encarar as digitais do Povo nas urnas eletrônicas. Dizem por aí, os conspiradores de plantão, é claro, que Lula ganharia a Presidência com um pé nas costas. Conspiradores não sabem ler uma pesquisa: Lula pode ter 34% de preferência, mas tem 54% de rejeição – de eleitores que não votariam nele “nem que a vaca tussa”, parafraseando a empichada Dilma Rousseff quando da sua reeleição.

O fato é que políticos querem judicializar, e juízes querem legislar. E quem paga o pato por tamanha discrepância somos nós, os bons raros leitores e eu. E uma coisa pior se avoluma diante de todos nós: os cerca de 270 bilhões de reais que representam o deficit da Previdência. Os surdos que brigam pela situação político-penal de Lula da Silva são incapazes de ver a verdade dos números: estamos com 12 milhões de desempregados que deixaram de contribuir com o INSS.

Porto Alegre está sitiada por desocupados mentais, e milhões de reais estão sendo torrados para que se tenha um mínimo de segurança pública. Lula preso ou solto, candidato ou não, representa apenas o desleixo petista com os nossos fundamentos democráticos: ou “eles” estão com a razão ou “nós” estamos contra “eles”. Enfim, eles não gostam de democracia. Apenas isso.

Os raios e a chuva de Campinas sumiram lá pelos lados de Jaguariúna. Foi nada não. Apenas uma chuva de Verão. Chato mesmo é ter de conviver com as bravatas de Verão do petismo oficial. Mas isso, devo dizer, são os ossos do ofício democrático.

Bom dia.