Publicado 05 de Janeiro de 2018 - 5h30

O Centro Infantil Boldrini deve receber hoje, no final da tarde, os 18 frascos da Peg-asparaginase importados em nome dos pacientes mais urgentes por meio de uma parceria com o laboratório Shire. Para aliviar o tratamento dos 95 pacientes que sofrem de leucemia linfoide aguda, também saíram ontem da Alemanha os 165 primeiros frascos da importação feitas com recursos próprios do hospital e que devem chegar na próxima semana. Em meio à ações judiciais e discussões com o Ministério da Saúde, que tentou entregar essa semana 168 frascos de leuginase, sem eficácia comprovada, a presidente do hospital Sílvia Brandalise comemora o avanço inicial. “Estamos convocando 20 pacientes para amanhã de manhã tomar a asparaginase que ficou atrasada. Estou emocionada até agora. Foi uma luta intensa, mas eu fico satisfeita, porque foi um esforço nosso a favor dessas crianças cujas famílias não podem arcar com a medicação”, falou. Apesar da vitória, ela ainda lamenta que o governo insista em enviar medicação chinesa para os hospitais. “Imagino que o Ministério tenha comprado mais do que a medicação enviada essa semana e com certeza, pacientes do Sistema Único de Saúde estejam sendo medicados com ele. Caso sejam entregues novamente, vamos rejeitar”, garantiu.

A médica ainda demonstrou preocupação com o anúncio do ministro da Saúde, Ricardo Barros, que afirmou ontem que vai deixar a pasta para tentar se reeleger deputado federal na eleição deste ano. “Quem vai se responsabilizar pela compra dessas medicações sem comprovação de eficácia com a saída do ministro? Foi um ato de improbidade administrativa que qualquer outro gestor irá perceber. O problema continua. O que não sabemos é se essa decisão dele vai interferir em licitações em andamento e que devem comprar novas medicações chinesas pelo menor preço”, criticou. “Contamos com a Justiça para analisar cada um dos casos e julgar todas as ações indevidas”, concluiu.