Publicado 05 de Janeiro de 2018 - 5h30

As empresas incubadas pela Companhia de Desenvolvimento do Polo de Alta Tecnologia de Campinas (Ciatec) não sabem qual será o seu destino e se dizem abandonadas pela Prefeitura de Campinas após o anúncio de que apenas a parte administrativa da companhia irá para uma nova sede. As empresas continuarão nas instalações que pertencem ao Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), que moveu uma ação de despejo contra a Ciatec por falta de pagamento do aluguel.

Ainda sem destino, as mais de 14 novas empresas de tecnologia continuam instaladas no prédio antigo, mas passarão agora por uma avaliação do CNPEM, correndo o risco de ficarem sem um espaço. A Prefeitura de Campinas diz que agora o CNPEM fará a gestão das empresas.

“O CNPEM informa que pretende fazer um levantamento, junto a essas empresas, sobre a situação, o perfil de atuação e a relevância tecnológica de cada uma delas. Somente após esta avaliação o CNPEM tomará decisões sobre a permanência das empresas no prédio”, informou a instituição em nota.

Na terça-feira, um decreto publicado no Diário Oficial do Município permitiu que uma área pública que fica no bairro Vila Nova São José receba a Ciatec. A área de quase 2 mil metros quadrados fica na Rua Serra do Mirante, mas segundo o presidente da Companhia, Sérgio Roberto Larret Cavalheiro, será destinada para a área administrativa.

“O prazo para deixarmos o prédio era 31 de dezembro, mas como o novo edifício ainda passa por reformas, continuaremos no CNPEM”, explicou. Ainda segundo ele, a mudança na gestão aconteceu a pedido das empresas. “Tudo começou em julho de 2017, quando a ordem de despejo estava próxima e as incubadoras foram informadas de que teriam que procurar um local às pressas. Diante disso, as próprias empresas pediram uma nova gestão, que foi acatada. Concordamos porque foi uma ideia que partiu delas. Não desistimos facilmente como estão alegando, houve um pedido atendido, apenas isso”, explicou.

Ainda segundo ele, a mudança foi a melhor opção. “O acordo para os encubados no prédio em que estão foi a melhor decisão, por ter sido de interesse deles”, falou. Já as incubadoras afirmam que sugeriram a mudança na gestão por má administração, principalmente financeira. “Não confirmo essa informação. Apenas digo que não vamos reaver a decisão”, comentou.

“A interpretação que temos é que fomos abandonados pela Prefeitura e pela Ciatec, já que decidiram por um prédio que não comporta as incubadoras. Não pedimos pela gestão do CNPEM, pedimos por um gestor que entendesse de tecnologias e que soubesse administrar a instituição. Pagamos o nosso aluguel em dia e descobrimos, por meio de um processo judicial público, que o dinheiro não era repassado. Já estamos despejados e aguardamos um levantamento feito pelo centro, que ainda vai definir com qual empresa vai ficar ou não”, explicou Marcos Aurélio Correa Machado, de 58 anos, proprietário da Inovatus Brasil.

Segundo ele, parte dessas avaliações já foram feitas com as incubadoras, que aguardam uma resposta oficial sobre a permanência no local. Enquanto isso, correm o risco de perderem investimentos feitos até o momento. Só a empresa dele, que caminhava para a criação de um protótipo que faria a decomposição de gases de efeito estufa por micro-ondas, devolvendo ar 100% purificado para a atmosfera, vai perder inicialmente cerca de 150 mil dólares. “Além disso, tivemos um investimento do BNDES de 600 mil euros para montar o protótipo que está sendo importado da Alemanha e que deve chegar nos próximos dois meses. O que vou fazer com esse equipamento se for despejado? Como explicarei aos meus investidores?”, questionou.

“A Ciatec não pensou em nada disso. É assim que pequenos empresários de inovação são tratados em Campinas, um polo de tecnologia. É muita ingenuidade de todos os envolvidos pensar que do dia para a noite o CNPEM assumiria as incubadoras. Somos muito gratos pelo que o centro tem feito, por nos acolher e tentar resolver o problema que nem é de responsabilidade deles”, afirmou.

Ainda segundo o presidente da Ciatec, o acordo feito em agosto entre o prefeito Jonas Donizette (PSB) e o diretor-geral do CNPEM, Rogério Cerqueira Leite, está sendo cumprido. “Estamos honrando o acordo judicial. Ele não interfere na nova gestão”, garantiu. De acordo com ele, com as mudanças, a Companhia continua gerindo os dois polos de alta tecnologia de gestão municipal, Ciatec 1 e Ciatec 2.