Publicado 05 de Janeiro de 2018 - 5h30

Quem visitou o túmulo de um ente querido no Cemitério da Saudade, em Campinas, no final do ano, se assustou com a situação que encontrou no local. Alguns acabaram tendo a sensação de que o cemitério ficou abandonado nos últimos tempos. Responsável pela manutenção do cemitério, a Serviços Técnicos Gerais (Setec) informou que a limpeza e manutenção é feita por presos do Programa Reeducando e que os trabalhos serão retomados hoje.

Mato alto e lixo espalhado fazem parte do cenário atual e não é a primeira vez que o Correio traz reclamações do cemitério. Em abril do ano passado, os visitantes já reclamavam da falta de manutenção do espaço. Para o professor de educação física Antônio Miranda Gonçalves Júnior, de 54 anos, a atual aparência do local é uma falta de respeito com quem vai até lá prestar uma homenagem para um parente querido. “A situação é a pior possível, um abandono total. Entre os caminhos dos túmulos tem muito mato, é uma falta de educação com as famílias”, desabafa.

Antônio nasceu e cresceu no bairro Cambuí, mas atualmente mora na cidade vizinha de Valinhos e anualmente vai a Campinas para visitar os túmulos dos pais e dos avós que estão enterrados no município. O professor afirma que já tentou reclamar, mas não obteve retorno. “Não adianta reclamar. Quanto mais reclamação, mais falta de respeito com as famílias”, diz.

Para as irmãs Dorote Ribeiro, 87 anos, Doraci Ribeiro, 76 anos, Edna Ribeiro, 83 anos, a situação começou a ficar complicada depois de outubro. Todos os meses a família, que é de Paulínia, vem até a cidade para visitar as sepulturas dos pais, irmãos e sobrinhos e notaram a deteriorização. “Eu acho que está abandonado sim. Em outubro os ‘meninos presos’ limpavam, mas agora isso aqui está um descaso”, diz Edna. As irmãs afirmam que já foram até a administração do cemitério para tentar resolver a situação, mas que ainda assim os problemas não foram resolvidos. “Acho que o mínimo é deixar tudo limpo. Meu pai dizia ‘Viva a limpeza e a fartura, porque sujeira e miséria ninguém atura’”, conta Edna.

Questionada sobre a situação do Cemitério da Saudade, a Setec informou que o último mutirão de limpeza foi realizado para o dia 2 de novembro - Dia de Finados -, mas que ainda assim diariamente homens do programa Reeducando limpam o local. Ainda de acordo com a Setec, em dezembro os trabalhos foram suspensos devido ao recesso de fim de ano e que os trabalhos serão retomados hoje.

Já sobre o mato alto que toma conta entre os caminhos dos túmulos, o órgão informou que os trabalhos são realizados pela mesma equipe, mas as chuvas de Verão acabam atrapalhando parte da manutenção. “Durante o período de chuva é mais complicado mesmo, mas tanto a limpeza, quanto o corte do mato, serão retomados”, afirmou, via assessoria de imprensa.

A Setec reforçou ainda que os trabalhos serão feitos dentro de um plano de ação para deixar os cemitérios da Saudade, dos Amarais e de Sousas em ordem. Os trabalhos dos reeducandos, segundo a Setec, são realizados de segunda a sábado.

Taxa

Em novembro passado a Prefeitura de Campinas anunciou que passaria a cobrar, a partir de março deste ano, uma taxa para manutenção dos cemitérios municipais. O valor da taxa será de R$ 57,60. Em novembro, a Setec afirmou que a nova cobrança poderá render R$ 2,8 milhões ao ano e será utilizada apenas para a manutenção dos túmulos e obras de arte do Cemitério da Saudade.

Há um tempo o local também tem sido alvo da violência que atinge a cidade. Com o objetivo de solucionar o problema, parte da verba arrecadada com as taxas, segundo a Setec, será usada para a instalação de medidas de segurança para evitar roubos e depredação nos cemitérios municipais.

De acordo com a Setec, os gastos com a manutenção dos cemitérios da Saudade, Amarais e Sousas ficam em torno de R$ 1,2 milhão: para os Amarais, são destinados R$ 400 mil; Sousas R$ 200 mil; e, para o cemitério da Saudade R$ 600 mil.