Publicado 04 de Janeiro de 2018 - 5h30

Existe em grande parte da sociedade brasileira um sentimento inaudito de mudanças urgentes que precisam ser mobilizadas para se passar a um novo estágio de desenvolvimento que excede a crise política e econômica atual. O balanço de um ano que termina sempre sugere a esperança de que tudo pode melhorar, afinal não há bem que sempre dure, nem mal que nunca se acaba, diz o dito popular com alguma razão. São tantas notícias ruins que causam desgosto e preocupação, disseminando a crença de que o País, ao final das contas, não tem mais jeito. A agenda atual impõe a discussão sobre temas candentes na política, tantos os descalabros que expõem o estágio profundo de degradação do setor público, lançando as maiores expectativas para as eleições deste ano, oportunidade de renovação do quadro político no sentido de saneamento moral e institucional.

Mas prevalecem grandes problemas na virada de ano. A crise de segurança que abala todo o País se mostra grave com a situação específica do Rio Grande do Norte e Rio de Janeiro, que assume proporção crônica. Em São Paulo, uma criança de cinco anos morre baleada durante a soltura de fogos, depois de passar horas à espera de atendimento médico. Em Goiás, o ano começa com mais uma rebelião e nove mortos. As chuvas fortes antecipam a preocupação sempre presente com as enchentes e suas vítimas de sempre. Na política, as negociações inauguram uma nova fase, com José Sarney (PMDB) demonstrando que seu poder e influência estão longe de ter se esgotado, ditando as cartas para o governo federal. E as notícias seguem no mesmo tom, mostrando que as preocupações se mantém e abalam a mais forte fé em que a virada de ano pudesse representar um novo ânimo.

Voltando à rotina, os brasileiros são lançados no permanente desafio de avançar em sua determinação de promover mudanças, ainda que muitos não distingam os caminhos que podem ser adotados. Alienar-se da política não é alternativa. Muito do que acontece é de absoluta responsabilidade destes governantes, que continuam gastando muito e mal, atolando o País em dívidas como se o pote de recursos públicos não tivesse fundo, promovendo ações midiáticas que custam o dinheiro que falta em escolas, hospitais, nas polícias, nas estradas intransitáveis e inseguras, nos serviços ausentes.

O novo ano não veio com a cartilha de mudanças, tampouco com vara de condão. Se os brasileiros anseiam por mudanças, a única saída é arregaçar as mangas, ampliar o diálogo e impor sua vontade com trabalho, determinação e alto espírito cívico.