Publicado 03 de Janeiro de 2018 - 5h30

Os servidores públicos de Campinas voltaram ao trabalho ontem ainda insatisfeitos com o pagamento parcelado dos salários anunciado pela Prefeitura. Uma manifestação marcada para as 10h de hoje, em frente ao Paço Municipal, chamada de “Segundo ato contra o calote do Jonas”, pretende reivindicar mudanças na decisão da administração, que vai pagar o funcionalismo no dia 12 de janeiro.

Os servidores deveriam ter recebido o pagamento no dia 30 de dezembro. Os aposentados também sofrerão com atraso. No dia 12 de janeiro receberão integralmente os que ganham até R$ 4 mil — segundo o Camprev, são cerca de 70% dos 9 mil inativos. Os demais terão a segunda parcela depositada no dia 26 de janeiro. Já a segunda parcela do 13 salário será quitada no dia 15 de janeiro. Os proventos deste mês serão pagos no dia 30, segundo a administração.

De acordo com a Prefeitura, as medidas são necessárias em razão da queda de arrecadação e aumento na demanda por serviços públicos provocados pela maior crise econômica da história recente do País.

Os servidores já haviam feito uma manifestação no último dia 28, motivados pelo atraso no 13 salário. O movimento foi organizado por um coletivo de aposentados. O Sindicato dos Trabalhadores do Serviço Público Municipal de Campinas (STMC) impetrou uma ação na Justiça com pedido de liminar para garantir a remuneração dos servidores públicos. O argumento do Sindicato é de que o atraso nos depósitos fere a dignidade humana. A entidade decidiu ainda que vai ao Ministério Público para apuração sobre crime de improbidade administrativa, mas ainda não existem novidades na Justiça sobre a análise da ação, devido ao recesso no Poder Judiciário.

A direção do sindicato chegou a se reunir com representantes da Prefeitura de Campinas, que reafirmaram o pagamento com atraso. Os diretores disseram que repudiaram a conduta do governo municipal, que tem prejudicado os servidores. Segundo os sindicalistas, o governo teria informado que em janeiro acabaria com os atrasos porque foram aprovadas medidas para equilibrar as finanças do município, como o aumento dos impostos.

O movimento que acontece hoje ainda deve se repetir. Um documento divulgado nas redes sociais pelo Coletivo Trabalhadores em Luta (CLT) diz: “A pressão nas ruas foi importante mas não pode parar enquanto não recebermos os salários”. Segundo a assessoria de imprensa da Prefeitura, o que foi informado oficialmente sobre os pagamentos no último dia 27 deve permanecer. (Rafaela Dias/AAN)