Publicado 03 de Janeiro de 2018 - 5h30

A segurança pública tem se transformado em um dos mais sérios problemas brasileiros, decorrentes de uma crise econômica que tem reduzido substancialmente os recursos para investimentos no setor. O Rio de Janeiro é o exemplo pronto de como a incúria administrativa afeta drasticamente o cumprimento das obrigações constitucionais do Estado, sendo evidente o acúmulo de erros de administrações temerárias e desonestas que permitiram a instalação do caos nos transportes, na saúde pública, no funcionalismo e, especialmente, na segurança. Palco de operações de tráfico e guerra entre quadrilhas, o Estado se mostra corrupto e impotente para solucionar seus graves problemas, exigindo medidas de emergência para conter a violência e evitar o desastre total no atendimento médico.

Mas o Rio não é um caso isolado. Por todo o País eclodem conflitos e situações que atestam o quanto a falência de governos e administrações municipais compromete a vida dos cidadãos comuns. O fim de 2017 foi marcado pela paralisação das forças de segurança no Rio Grande do Norte, com a greve de policiais civis e militares por falta de pagamento. A ausência de policiamento nas ruas levou a uma situação desesperadora, com o registro de ocorrências de homicídios, trocas de tiros entre bandidos, roubos de veículos e arrombamentos de comércios, que aumentaram preocupantemente nos quinze dias de paralisação, levando à necessária intervenção de tropas do Exército enviadas pelo governo para garantir um mínimo de ordem. Ainda assim, segundo a Secretaria de Estado da Segurança e da Defesa Social (Sesed/RN), já foram registrados 580 roubos, sendo 258 carros, do início da semana passada até o primeiro dia do ano, e 56 lojas tiveram arrombamentos.

É evidente que a intervenção do Exército em situações de alto risco torna-se necessária para assegurar a população, que fica à mercê de bandidos, mas esta deveria ser uma situação absolutamente extraordinária. Com o descalabro que se vê nas finanças públicas, é fácil perceber por todo o País a degradação da segurança – e outros setores essenciais – exigindo a intervenção providencial do governo federal em socorro dos estados e municípios. Sem solução possível em curto prazo, o Brasil entra em 2018 com uma agenda carregada de providências para garantir o mínimo para sua população, um estágio altamente preocupante da crise que se abate sobre o país.