Publicado 02 de Janeiro de 2018 - 5h30

Com tudo o que aconteceu no decorrer do fatídico ano de 2017, é possível esperar que este novo ano reserve algumas boas surpresas para os brasileiros, desencantados com tantos problemas econômicos e políticos e com muitos dos temas relevantes deixados de lado, como a segurança em frangalhos, a falência da saúde, as dificuldades da educação, o contingenciamento de programas sociais como financiamento estudantil e de moradias populares, o desemprego. É preciso acreditar que pior do que está não poderá ficar, e talvez 2018, com a oportunidade ímpar de renovação política, sinalize o ponto de virada que tanto se espera.

Não faltam impactos decisivos agendados desde o início do ano, já com o julgamento de Lula da Silva (PT) em 24 de janeiro, quando se tentará manifestações de peso contra a eventual decisão dos juízes de segunda instância. O fato ganha proporção na medida em que o Partido dos Trabalhadores confirmou para o dia seguinte o lançamento oficial da candidatura do ex-presidente, como se ainda houvesse dúvidas a respeito. O desenho do futuro político poderá estar traçado a partir destas decisões importantes, até com a definição mais clara das candidaturas. As eleições de outubro, por óbvio, ganham uma dimensão extraordinária neste ano, quando realmente se poderá aferir o grau de insatisfação da sociedade com a classe política, podendo significar uma guinada histórica com a rejeição de nomes que sempre pontuaram as eleições nas últimas décadas.

É forçoso acompanhar ainda os desdobramentos da operação Lava Jato, que em 2018 deverá assumir protagonismo especial, especialmente pelas manobras que existem para atenuar suas implicações. A questão do foro privilegiado, que subterfugidamente foi interrompida pelo ministro futuro presidente do STF Dias Toffoli, poderá ser votada pelo Congresso com atenuantes, contrariando expectativa da sociedade, assim como a prisão após julgamento em segunda instância, que esteve prestes a ser confirmada mas agora conta com a possível mudança de voto de Gilmar Mendes. Aí deverão estar depositadas as maiores atenções de todos os que desejam um final feliz para o esforço que se desenvolve.

Se existe para 2018 alguma expectativa de mudanças, estas caberão exclusivamente à sociedade, que não poderá ficar de mera espectadora, e poderá assumir sua função cívica com mais propriedade. A Lava Jato levantou a bola, cabe aos cidadãos fazerem este gol. Afinal, o Ano-Novo não poderá se resumir à Copa do Mundo.