Publicado 25 de Janeiro de 2018 - 16h20

Por AFP

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, chegou nesta quinta-feira (25) em Davos, onde participou do Fórum Econômico Mundial (WEF) para vender sua política à elite econômica mundial e teve reuniões com seus aliados tradicionais, Israel e Reino Unido.Um ano depois da chegada à Presidência, Trump fez uma entrada triunfal, bastante sorridente, no centro de convenções da estação alpina onde era esperado por um grupo de curiosos."Serão dois dias emocionantes", disse Trump, que na sexta-feira à tarde vai explicar seu slogan "America First" a um público, a princípio, hostil ao protecionismo que ele defende. "Acho que o mais fascinante com o presidente Trump é que tem a capacidade de surpreender, e tenho certeza de que amanhã nos surpreenderá", disse Alexander Stubb, ex-primeiro-ministro da Finlândia e novo vice-presidente do Banco Europeu de Investimentos.Pouco antes da chegada de Trump, o secretário americano do Tesouro, Steven Mnuchin, abalou os mercados quando disse não estar preocupado com o valor do dólar em curto prazo, provocando a queda da moeda americana."Não estamos preocupados com o nível do dólar em curto prazo. É um mercado com muita liquidez e acreditamos no câmbio livre", afirmou à imprensa em Davos.Alguns analistas acreditam que essa possa ser uma estratégia deliberada do governo Trump para beneficiar as exportações americanas, em detrimento de seus compromissos com o G20. Trump, primeiro presidente americano a ir ao Fórum desde Bill Clinton, em 2000, provoca reações contraditórias entre os cerca de 2.500 delegados e 70 chefes de Estado e de Governo que estão em Davos.De um lado, estão os grandes empresários que comemoram sua recente reforma tributária, que reduz a carga de impostos para empresas, e que celebram ainda a alta da Bolsa nos Estados Unidos e o crescimento econômico do país.Do outro, seu discurso protecionista e suas declarações intempestivas sobre questões geopolíticas não agradam Davos, onde muitos dos seminários são dedicados a explicar os benefícios do livre-comércio e da globalização.- Ajuda financeira a palestinos bloqueada -Logo que chegou, Trump se reuniu com o premiê israelense, Benjamin Netanyahu, aliado tradicional dos Estados Unidos, e garantiu que vai bloquear ajudas financeiras aos palestinos porque eles "faltaram com o respeito" com os Estados Unidos."Eles nos faltaram com o respeito na semana passada impedindo que nosso grande vice-presidente os visse", afirmou Trump, garantindo que "bilhões" de ajuda americana "não chegarão até que se sentem para negociar a paz", acrescentou. De Ramallah, Hanan Ashrawi, funcionária de alto escalão da Organização de Libertação da Palestina (OLP), disse que "recusar a se encontrar com seu opressor não é desrespeito, é respeito a si mesmo". Os palestinos rejeitam a recente decisão de Trump de reconhecer Jerusalém como a capital de Israel, rompendo décadas de consenso internacional.O presidente americano também teve uma reunião bilateral com a primeira-ministra britânica, Theresa May, e destacou que eles têm uma "relação especial". Mas o destaque será na sexta-feira, seu discurso imprevisível e muito aguardado."Não é um público especialmente bem predisposto", comentou William Allein Reinsch, do Center for International and Security Studies. Segundo ele, dizer que Trump "se mete na boca do lobo é uma boa metáfora".Ele terá que superar as falas da chanceler alemã, Angela Merkel, e do presidente francês, Emmanuel Macron, - que virou uma estrela entre os empresários em Davos após garantir que "a França está de volta". arb-aue-pc.zm/tt/ll/cb

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