Publicado 24 de Janeiro de 2018 - 18h40

Por AFP

Feridos durante os atentados de Bruxelas de março de 2016 e familiares de vítimas fatais denunciaram nesta quarta-feira a complexidade dos procedimentos administrativos orientados a conseguir uma indenização, assegurando sentir-se "abandonados" pelas autoridades belgas."Temos muros ao nosso redor, pessoas que não entendem nada. Onde está a ajuda? Em parte alguma, nem no nível dos seguros e certamente tampouco no nível do governo! Estamos fartos", disse Myriam Gueuning, ferida durante a dupla explosão no aeroporto de Bruxelas-Zaventem.A mulher, que aparente ter cerca de sessenta anos, falou com outras vítimas dos atentados de 22 de março, durante uma entrevista coletiva organizada em Bruxelas pela associação V-Europe, que assegura representar quase 200 pessoas.Nessa manhã de 2016, três atacantes de uma célula extremista franco-belga se explodiram no aeroporto e no metrô de Bruxelas, causando um total de 32 mortos e centenas de feridos. A organização extremista Estado Islâmico (EI) reivindicou o ataque.Em um momento em que o segundo aniversário dos atentados se aproxima, a V-Europe lamenta especialmente a demora do Estado belga para implementar uma "plataforma única" para tratar os relatórios administrativos.Esta ferramenta, na sua opinião, pouparia as vítimas de dirigirem-se a múltiplos interlocutores, como recomendou no ano passado a comissão de investigação parlamentar sobre os atentados de 22 de março.Na Bélgica, a ausência de um fundo de garantia nacional para as vítimas do terrorismo -como existe na França- obriga essas pessoas a dirigirem-se individualmente à sua companhia de seguros para obter uma indenização além da "ajuda de urgência" a que tem direito."As companhias de seguro fazem todo o possível para nos desanimar", afirmou uma participante.Outro dos problemas denunciados é a "discriminação" entre os residentes belgas e as vítimas estrangeiras, e mesmo dentro da própria Bélgica, entre as comunidades flamenca e da Valônia.O governo federal belga se comprometeu nesta quarta-feira a reduzir "ao mínimo" as perícias médicas necessárias para as indenizações e a acelerar os pagamentos da comissão encarregada da ajuda financeira de urgência.O executivo também trabalha na implementação de decretos para "a entrada em vigor do estatuto nacional da vítima", afirmaram em um comunicado conjunto os ministros da Justiça, Saúde e Defesa.mad-tjc/mb/cc

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