Publicado 01 de Janeiro de 2018 - 21h47

Por Estadão Conteúdo


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"Essa menina é muito focada", diz Ingrid (à direita) sobre Larissa, sua filha na trama

Ingrid Guimarães, Paulo Gustavo, Daniel Filho. O que eles têm em comum? Pertencem ao Olimpo do cinema brasileiro. Reis da bilheteria. Tem gente que despreza isso, acha que não tem a menor importância. Com seus filmes, Ingrid já levou ao cinema 18 milhões de espectadores — pagantes. É sucesso para ninguém botar defeito, e seus filmes ainda têm mais. Daqui a algum tempo, as tramas serão referências para quem quiser pesquisar, ou entender, a mulher brasileira dos anos 2010.

A mulher em busca de afirmação, empoderando-se na série 'De Pernas pro Ar'. A mulher que renuncia a si mesma pela família em 'Fala Sério, Mãe!' Vai virar série?Depende da bilheteria, claro, e isso só não vai acontecer se... Toc, toc, toc. Esconjuro. Tudo se combina para alavancar o sucesso de 'Fala Sério, Mãe!' Ingrid Guimarães, com o reforço de Larissa Manoela. O livro de Thalita Rebouças, que deu origem ao filme. A direção de Pedro Vasconcelos, da novela 'A Força do Querer' e do remake de 'Dona Flor e Seus Dois Maridos'. 

“É meu primeiro filme que posso ver com minha filha. Todos os outros tinham impropriedade. 'De Pernas pro Ar' tem aquela coisa dos brinquedinhos eróticos. Vê se eu vou ter cara de ver isso com minha filha? Há tempos queria mudar. O 'De Pernas pro Ar' foi superimportante e eu vou fazer mais um, mas estava querendo essa coisa que os americanos fazem muito bem. Um filme sobre problemas domésticos, para toda a família. Acho que conseguimos.”

O ‘nós’ engloba o diretor, a autora, a equipe toda. A própria Ingrid coassina o roteiro. Colocou muito de sua experiência pessoal. 'Fala Sério, Mãe!' é sobre esse casal jovem. Casam-se, vêm as crianças, e a filha. O casal separa-se, a mãe tem de dar duro. Na sua preocupação de ser protetora, muitas vezes não tem ‘noção’, como quando invade o ônibus escolar e submete a filha ao maior vexame na frente dos colegas, com seus conselhos e orientações. “Lava a calcinha, minha filha. E não se esqueça do Bom Ar quando fizer o 2”. E Ingrid conta: “Fiz muita pesquisa nas redes sociais, entrei em grupos de mães no WhatsApp. O filme desmistifica certas idealizações. Essa coisa de amamentar é lindo. Pode ser lindo, sim, mas também é um horror. O seio rachado, o mamilo doendo. Coloquei tudo isso porque sabia que as mulheres iam entender, se identificar. Nas pré-estreias foi o que ocorreu.”

A própria Ingrid escolheu a atriz para ser a filha, Larissa Manoela. “Essa menina, além de talentosa, é muito focada. E o sucesso dela no 'Carrossel' é uma coisa espantosa. Somei pontos com a minha filha e as filhas das minhas amigas só as levando ao set para conhecer a Larissa. Todo dia era uma excursão. E os pedidos não terminavam — ‘Me leva, tia.’ Foi uma experiência muito rica que, pelo que pude perceber nas pré-estreias, passa para o público.” Sem querer discutir a teoria de autor, as comédias de Ingrid Guimarães terminam tendo a cara de seus diretores.

O filme começa narrado pela mãe, Ângela, e de repente Ingrid olha para a câmera e diz que agora quem vai contar é Malu, a filha. Na trama, Malu amadurece, vira mulher, parte para o mundo. “No livro, ela sai do subúrbio para Copacabana, mas o Pedro (diretor) achava pouco. A distância tinha de ser maior.” O importante é que, no processo, apesar das diferenças e dos atritos inevitáveis, mãe e filha aprendem a se conhecer, respeitar, e aceitar. Tornam-se as melhores amigas. 

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