Publicado 01 de Janeiro de 2018 - 21h19

Por Estadão Conteúdo

'Abaporu', uma das obras mais conhecidas da artista e um ícone do Modernismo brasileiro

Divulgação

'Abaporu', uma das obras mais conhecidas da artista e um ícone do Modernismo brasileiro

O Museu de Arte Moderna de Nova York já anuncia de modo bombástico a retrospectiva da pintora modernista Tarsila do Amaral (1886-1973) que será aberta dia 11 de fevereiro, 'Tarsila do Amaral: Inventing Modern Art in Brazil', primeira grande exposição individual sua numa instituição americana, que vai reunir 130 obras, da produção seminal modernista dos anos 1920 aos trabalhos de conteúdo social dos anos 1930. A organização da mostra é do venezuelano Luis Pérez-Oramas, curador da 30ª Bienal de São Paulo (2010).

A retrospectiva no MoMA segue a trajetória de Tarsila desde sua passagem por Paris nos anos 1920, onde estudou com André Lhote, Albert Gleizes e Fernand Léger, até sua pintura de caráter mais realista nos anos 1930, passando, naturalmente, pelo período antropofágico — o MoMA vai receber de empréstimo a tela Abaporu, ícone da pintura canibal da artista.

Tarsila do Amaral (1886-1973) foi pintora e desenhista brasileira. O quadro 'Abaporu', pintado em 1928, é sua obra mais conhecida.

Quem foi Tarsila

Tarsila do Amaral (1886-1973) nasceu na Fazenda São Bernardo, no município de Capivari, interior do Estado de São Paulo. Filha de José Estanislau do Amaral Filho e Lydia Dias de Aguiar do Amaral. Era neta de José Estanislau do Amaral, que em razão de ter acumulado fortuna adquirindo fazendas no interior de São Paulo, foi apelidado de "milionário". Seu pai herdou apreciável fortuna e diversas fazendas, nas quais Tarsila passou a infância e adolescência.

Filha de família tradicional e rica estudou em São Paulo no Colégio de freiras e no Colégio Sion. Completa seus estudos em Barcelona, na Espanha, onde pintou seu primeiro quadro, 'Sagrado Coração de Jesus', aos 16 anos. Na sua volta ao Brasil casa-se com o noivo André Teixeira Pinto, com quem teve uma filha.

Em 1916 começa a trabalhar no ateliê de William Zadig, escultor sueco radicado em São Paulo. Com ele aprende a fazer modelagem em barro. Separa-se de André Teixeira e em 1920 vai para Paris, onde estuda na Academia Julian, escola de pintura e escultura. Estuda também com Émile Renard.

Tarsila tem uma tela sua admitida no Salão Oficial dos Artistas Franceses em 1922. Nesse mesmo ano regressa ao Brasil e se integra com os intelectuais do grupo modernista. Faz parte do Grupo dos Cinco, juntamente com Anita Malfatti, Oswald de Andrade, Mário de Andrade e Menotti del Picchia.

Nessa época, começa seu namoro com o escritor Oswald de Andrade. Embora não tenha sido participante da Semana de 22, integra-se ao Modernismo. Volta à Europa em 1923 e entra em contato com os modernistas que lá se encontravam. Estuda com Albert Gleizes e Fernand Léger, grandes mestres cubistas. Mantém estreita amizade com Blaise Cendrars, poeta franco-suíço que visitou o Brasil em 1924. Inicia sua pintura 'Pau-Brasil', dotada de cores e temas acentuadamente brasileiros.

Em 1925 ilustra o livro 'Pau-Brasil', de Oswald de Andrade. Em 1926 expõe em Paris, obtendo grande sucesso. Casa-se no mesmo ano com Oswald de Andrade. Em 1928 pinta o 'Abaporu' para dar de presente de aniversário a Oswald que se empolga com a tela e cria o Movimento Antropofágico. É deste período a fase antropofágica da sua pintura. Em 1929 expõe individualmente pela primeira vez no Brasil, no Palace Hotel, em São Paulo. Separa-se de Oswald de Andrade em 1930.

Em 1933 pinta o quadro 'Operários' e dá início à pintura social no Brasil. No ano seguinte participa do I Salão Paulista de Belas Artes. Começa um relacionamento com o escritor Luís Martins que durou quase vinte anos. De 1936 a 1952. Tarsila do Amaral morreu em São Paulo, no dia 17 de janeiro de 1973.

Quem foi Volpi

Outro pintor moderno que tem, finalmente, seu valor reconhecido lá fora é Volpi. Num esforço acadêmico e institucional, segundo o advogado Pedro Mastrobuono, presidente do Instituto Volpi, o Museu Nacional de Mônaco abre em fevereiro uma retrospectiva com 100 obras do pintor, cobrindo todos os períodos de produção do artista.

Alfredo Volpi nasceu em Lucca, na Itália, em 14 de abril de 1896. Veio para o Brasil, no ano seguinte, com os pais, que emigraram para São Paulo. Desde pequeno gostava de misturar tintas e criar novas cores.

Estudou na Escola Profissional Masculina do Brás e trabalhou como marceneiro, entalhador e encadernador. Em 1911, aos 16 anos, iniciou a carreira como aprendiz de decorador de parede, pintando frisos, florões e painéis de residências. Na mesma época, começou a pintar sobre madeira e telas.

Sua primeira exposição coletiva ocorreu no Palácio das Indústrias de São Paulo, em 1925. Alfredo Volpi morreu em São Paulo, no dia 28 de maio de 1988.

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