Publicado 26 de Janeiro de 2018 - 22h17

Por Letícia Guimarães

Parada LGBT na Capital paulista, uma das maiores manifestações do País em favor do respeito à diversidade: Centro de Referência em Campinas promoverá seminários sobre o tema

Cedoc/RAC

Parada LGBT na Capital paulista, uma das maiores manifestações do País em favor do respeito à diversidade: Centro de Referência em Campinas promoverá seminários sobre o tema

Prestes a entrar na “semana da visibilidade trans”, lembrada no período do dia 29 de janeiro, o País registra números alarmantes sobre a violência contra a população LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais). Segundo levantamento do Grupo Gay da Bahia (GGB), no ano passado 445 pessoas foram assassinadas em crimes de homofobia, 30% a mais do que em 2016.

Na Região Metropolitana de Campinas (RMC), foram 218 ocorrências de violência, sendo dois homicídios, segundo o Centro de Referência (CR) LGBT de Campinas. O número do ano passado foi menor do que o apurado pelo órgão em 2016, mas isso não significa que os casos tenham diminuído, já que os registros feitos pelo CR são apenas as denúncias que chegam pelo Disque 100, canal de denúncia anônima. O levantamento feito pelo GGB recolheu informações de casos publicados pela imprensa nacional.

Se sem a totalidade dos dados as estatísticas já colocam o Brasil como o primeiro no mundo em mortes de pessoas LGBTs, conforme ranking da Associação Internacional de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transgêneros e Intersexuais (ILGA), se todos os casos que não chegam à polícia ou aos jornais fossem quantificados mostraria uma realidade ainda mais cruel.

Na RMC, de acordo com a coordenadora do CR LGBT, Valdirene Santos, em 2016 foram registrados 357 casos de violência contra esta população, contra 218 no ano passado. Dentro destes dados, quatro pessoas foram assassinadas, enquanto o restante são casos de agressões físicas e psicológicas.

“São agressões graves. Infelizmente essa diminuição não significa a redução dos casos, mas que pode ter havido queda nas denúncias. Em 2016, as maiores vítimas na região foram os homens homossexuais, enquanto em 2017 houve aumento considerável de lésbicas como vítimas”, segundo Valdirene.

De acordo com ela, é preciso avançar em políticas públicas para que essas pessoas deixem de ser agredidas por serem como são e quem são. “É preciso que a homofobia e a LGBTfobia sejam criminalizados. Mas ainda falta passar pela questão da educação, que é o fator principal. As pessoas precisam ter aquela educação de família mesmo, que ensina a respeitar o outro como ele é”, afirmou.

Neste ano, a programação do CR ainda está sendo definida, mas a coordenadora já adiantou algumas ações que devem ser realizadas. Está previsto um seminário LGBT para discutir questões diversas sobre o tema e um fórum para debate sobre o assunto pela ótica dos pais. Deve haver também a segunda edição do Selo Compromisso com a Diversidade, que é entregue a estabelecimentos e empresas que acolhem, empregam e atendem de maneira digna esta população, além da sexta edição do Mapa da Violência, que destaca os números analisados no ano anterior.

Para Valdirene, a discussão sobre a violência é um dos temas mais urgentes envolvendo a população LGBT. “As paradas estão atraindo números cada vez maiores de pessoas porque aquele é um momento em que a pessoa LGBT se sente segura, porque ali tem outros iguais a ela, que tem uma segurança que estará ali para ela. Nos outros 364 dias do ano elas não conseguem caminhar pelas ruas livremente. Nós estamos tirando o direito dessas pessoas de estarem nas ruas.”

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Letícia Guimarães