Publicado 25 de Janeiro de 2018 - 23h15

Por Maria Teresa Costa

Com o aumento do desemprego, muitas pessoas perderam o direito aos planos de saúde empresariais e precisaram recorrer aos serviços públicos

Leandro Ferreira/AAN

Com o aumento do desemprego, muitas pessoas perderam o direito aos planos de saúde empresariais e precisaram recorrer aos serviços públicos

Depois de perder 133,9 mil usuários de planos de saúde entre 2014 e 2016, a Região Metropolitana de Campinas (RMC) dá sinais de início da reversão do cenário sombrio, que levou milhares de pessoas, sem emprego, a recorrer aos serviços públicos de saúde. O número de beneficiários na RMC cresceu 0,22% em 2017 na comparação com 2016 e chegou a 1,36 milhão de usuários. É um crescimento pequeno, mas a região está em situação muito melhor que a média do País, que registrou redução de 0,59%, e do Estado, que teve queda de 0,9% no número de beneficiados de planos de saúde entre 2016 e 2017.

Onze cidades registraram crescimento no número de beneficiários na região e nove perderam. Nas nove cidades, 5,7 mil pessoas ficaram descobertas de um plano de saúde no ano passado, das quais 3.983 em Campinas, na comparação com 2016. No balanço entre 2014 e o ano passado, a região acumula uma perda de 130,9 mil usuários. Campinas, no período, perdeu 77,8 mil beneficiários.

Entre dezembro de 2016 e dezembro de 2017, os usuários de planos na região passaram de 1.359.425 para 1.362.497, segundo dados da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Em 2014, a região tinha 1.493.422 usuários de planos de saúde.

O secretário de Saúde de Campinas e diretor do Conselho Nacional de Secretários Municipais de Saúde (Conasems), Carmino de Souza, avalia que o crescimento registrado pela ANS é uma boa notícia, porque pode estar sinalizando uma retomada da atividade econômica, embora o aumento registrado na RMC, de 0,22% seja muito pequeno frente às perdas ocorridas nos últimos anos. “A expectativa é que em 2018 a situação melhore, porque no ano passado a pressão sobre os serviços públicos de saúde continuou alta, especialmente em consultas, medicamentos, internações”, disse.

Ele observa que o comportamento no número de beneficiários de planos de saúde está intrinsicamente ligado à atividade econômica, uma vez que a maioria dos planos é empresarial. “O número de convênios individuais é escasso. Enquanto não tivermos recuperação da economia, a pressão nos serviços públicos não irá diminuir. Em 2017 batemos o fundo do poço”, afirmou.

Para o economista Ricardo Ramos de Oliveira, o movimento registrado nos planos de saúde é o retrato perfeito dos impactos que a crise econômica provocou no País. “O primeiro foi o desemprego e com ele, as dificuldade de garantir atendimento à saúde da família. Os planos têm alto grau de resiliência, conseguem se manter, mas o beneficiário só tem como alternativa o Sistema Único de Saúde (SUS), que antes da crise econômica já vinha sobrecarregado e piorou muito após 2014, justamente porque passou a ter que dar conta também de um contingente que perdeu o plano de saúde”, afirmou.

Na RMC, Santo Antonio de Posse teve a maior perda de usuários de planos de saúde. Saiu de 5,09 mil em 2016 para 4,8 mil no ano passado, uma redução de 4,3%. O maior crescimento ocorreu em Engenheiro Coelho, que saiu de 3,6 mil beneficiários para 3,8 mil, um aumento de 6,54 no período.

As cidades que registraram decréscimo no número de beneficiários de planos de saúde na RMC foram Artur Nogueira (1,28%), Campinas (0,67%), Cosmópolis (0,49%), Paulínia (0,02%), Pedreira (2,86%), Santo Antonio de Posse (4,3%), Sumaré (0,07%), Valinhos (0,26%) e Vinhedo (1,62%).

Escrito por:

Maria Teresa Costa