Publicado 25 de Janeiro de 2018 - 22h46

Por Virgínia Alves

As vacinas foram fracionadas para que mais pessoas possam ser imunizadas, evitando a rápida propagação da doença em várias regiões do País

Patrícia Domingos/AAN

As vacinas foram fracionadas para que mais pessoas possam ser imunizadas, evitando a rápida propagação da doença em várias regiões do País

A Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou um novo informativo sobre a situação da febre amarela no País, informando esperar que a força-tarefa para realizar uma campanha de vacinação em massa, incluindo as doses fracionadas, possa limitar a transmissão da patologia.

Apesar das expectativas serem positivas, a Organização das Nações Unidas aponta que devido ao grande número de doses e alcance, a campanha de vacinação terá grandes desafios logísticos. O comunicado divulgado pela OMS diz, ainda, que embora as medidas adotadas tenham contribuído para a ocorrência de menos casos, a quantidade de pessoas ainda não vacinadas - e que continuam a viver em regiões favoráveis à transmissão do vírus da febre amarela - representam um risco elevado para a mudança no atual padrão de transmissão.

O mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, zica e outras doenças, é uma das preocupações também para o vírus da febre amarela. Apesar dessa forma de transmissão ainda não acontecer no Brasil, o infectologista destaca que acontece em outros países e é preciso combater o mosquito. “O homem doente acaba infectando o Aedes, que depois pode transmitir para outra pessoa”, explica o infectologista e professor Rogério de Jesus Pedro, da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

Desde 1942 o Brasil não tem casos da febre amarela urbana. Atualmente, o País é afetado apenas pela febre amarela silvestre - transmitida pelos mosquitos Haemagogus e Sabethes. O comunicado diz ainda que não existe nenhuma evidência de que o mosquito Aedes Aegypti, presente nas áreas urbanas, esteja envolvido na transmissão.

O informativo menciona também que, em 11 de janeiro de 2018, um caso de febre amarela foi confirmado na Holanda em uma pessoa que esteve de 19 de dezembro de 2017 a 8 de janeiro deste ano nos municípios de Mairiporã e Atibaia, área onde o vírus causador da doença circula atualmente. O paciente, que não tinha histórico de vacinação, apresentou sintomas de febre alta, dor de cabeça, mialgia, náuseas, vômitos e diarreia.

Quem pode vacinar

Doadores de sangue, gestantes, bebês menores de nove meses e idosos estão entre os grupos com contraindicação para a vacina por causa de riscos de reações adversas graves. O professor Rogério ressalta que evitar esses lugares é a forma mais eficaz de se proteger contra a febre amarela. Além disso, o uso de repelentes e atividades normais do dia a dia também ajuda na proteção.

Apesar de Campinas até o momento não ser considerada uma área de risco, existem cidades na região administrativa do município que estão enfrentando grandes problemas com a doença. A cidade de Atibaia, localizada a 63,8 quilômetros de Campinas, é uma cidade com uma grande área de mata, recebe muitos turistas e segundo a Secretaria Estadual de Saúde, corresponde a 11,1% dos casos da doença do Estado.

Como o Correio já havia mostrado, a Prefeitura de Campinas está preocupada com a aproximação do Carnaval, que é quando muitos campineiros acabam visitando Atibaia. O professor da Unicamp ressalta que quem não pode tomar a vacina, não deve ir até as cidades que demonstram ter grande potencial para a transmissão da doença. “Quem não puder tomar a vacina, a primeira coisa é evitar áreas de risco de transmissão da doença”, explica.

Já para quem mora em áreas onde aconteceram as mortes de macacos contaminados, por exemplo, é recomendado o uso de repelentes, roupas de mangas longas, calças e meias. “É importante lembrar que precisa ser uma roupa mais larga, não pode ser justa. Porque se a roupa for fininha, mesmo assim o mosquito consegue picar”, orienta. O uso de repelentes, tela nas janelas e mosquiteiros, também auxiliam na proteção.

Os bebês que não podem tomar a vacina também têm deixado muitas mães em estado de alerta. O pediatra Aries Borges, de Campinas, explica que o cuidado deve ser redobrado, lembrando sempre que o sistema imunológico dos bebês é mais frágil. Ele ressalta que é importante que a mãe, pai e todos os familiares que tenham contato direto com criança, procure um centro de saúde e tomem a vacina.

A cabeleireira Maiara Fernanda da Cunha, de 26 anos, é mãe da pequena Aurora de dois meses, e está preocupada com a filha. Além de não poder tomar a vacina, Aurora ainda não pode usar repelentes. “Eu estou com muito receio, ainda mais que a vó mora em Sítio (Itapira) e estou evitando visitar ela”, conta Maiara. A recomendação do pediatra da criança, é que a mãe evite as áreas com mata. Desesperada, ela chegou até pesquisar alguns repelentes naturais, mas ainda não teve coragem de usar na filha, com medo de possíveis alergias.

“A principal recomendação é essa, que os adultos sejam vacinados. Repelentes só pode usar a partir dos seis meses, os repelentes a base de icaridina são mais eficientes para uso infantil”, diz o médico. Ele relembra ainda que é importante que os pais não levem as crianças para as áreas de riscos, principalmente na beira do Rio Atibaia. Segundo o pediatra, os moradores da cidade, se possível, devem evitar até os passeios no Distrito de Sousas, área de mata e zona onde foram encontrados os macacos mortos no ano passado. É importante lembrar que os bebês menores de seis meses não podem fazer uso de repelentes. Nesse caso, o uso de roupas longas e mosquiteiros são essenciais.

A vacina é contraindicada também para as mães que amamentam. A recomendação do pediatra é que as mães esperem a criança fazer seis meses para tomar a vacina. O infectologista vai além e diz que é importante que as mães se programem. “É preciso fazer uma janela de dez dias depois que toma a vacina, então é importante a mãe se programar para retirar todo esse leite e organizar a rotina da criança”, explica. Ele sinaliza ainda que é importante que, antes de pausa na amamentação, as mães procurem ajuda no banco de leite, para que a produção de leite não seja interrompida em decorrência da pausa.

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Virgínia Alves