Publicado 25 de Janeiro de 2018 - 11h55

Por Inaê Miranda

Protesto para reivindicar o cumprimento regular das Ordens Judicias de Entrega de Medicamentos/Insumos para Tratamento do Diabetes.

Patrícia Domingos

Protesto para reivindicar o cumprimento regular das Ordens Judicias de Entrega de Medicamentos/Insumos para Tratamento do Diabetes.

Pacientes diabéticos protestam na manhã desta quinta-feira (25) contra a falta de medicamentos e insumos. A manifestação teve início às 8h, em frente a Diretoria Regional de Saúde (DRS7), na Rua José Paulino, no Centro. Eles enfrentam constantes atrasos ou entrega parcial dos medicamentos que dificultam ou impossibilitam o tratamento. O problema se arrasta há quase um ano e mesmo as ordens judiciais que determinam o Estado a garantir os medicamentos vem sendo descumpridas pela Secretaria de Estado da Saúde.

Além do cumprimento da determinação da justiça, os pacientes reivindicam que as entregas sejam feitas de forma regular, igualitária e eficiente e cobram um posicionamento do Estado sobre a situação. De acordo com representantes do grupo, a maior parte dos pacientes é portador da diabetes tipo 1 e trata a doença há bastante tempo. "A maioria faz tratamento desde a infância ou adolescência e tem aqui também os pais ou filhos de diabéticos. Todos têm liminar ou ação judicial já ganha. Ao longo de um ano a gente vem recebendo uma parte, os medicamentos mais caros a gente não recebe" , explica Cibele Fuentes Figueiredo Ventura.

Depois de realizarem ao menos dois atos no ano passado, os pacientes ingressaram com uma representação coletiva no Ministério Público em mais uma tentativa de terem a situação regularizada, mas até o momento não tiveram retorno. "Estamos tentando todos os meios, a gente não desiste, mas está muito difícil de ter solução, de ter retorno" , diz.

Para não ficarem sem acesso total ao tratamento, alguns pacientes têm feito improvisos. "Quando a gente fica sem receber, a gente tem que adotar medidas não tão seguras" . Um exemplo dado por Cibele é o caso de quem usa a bomba de infusão que injeta a insulina via cateter. O insumo precisa ser trocado a cada 3 dias. "Como a gente não está recebendo com regularidade, a gente troca esse cateter a cada seis ou sete dias. O problema disso é que o cateter entope, o diabetes descompensa, tem risco de infecção. Então a gente fica usando pelo dobro ou triplo do tempo porque não sabemos se vamos ter no mês seguinte".

Ela ressalta que as consequências para quem fica sem o tratamento são sérias e é justamente isso o que eles querem evitar. "O diabetes bem controlado vai evitar a longo prazo a cegueira, diálise, amputação, uma série de problemas. A gente tem casos no nosso grupo de pessoas com 30 ou 35 anos que estão praticamente cegas. Outros, com mais tempo de diabetes, que estão cegos, em hemodiálise, transplantados. Então, quanto melhor o tratamento que a gente tem agora, menor os riscos a gente tem de ter esses problemas no futuro" , diz.

Ela acrescenta que a sensação é de desamparo. "Recorremos ao governo, à justiça e não resolvem. Sabemos que isso afeta a nossa qualidade de vida agora e vai afetar no futuro também" . Até às 11, o grupo permanecia no ato na tentativa de conversar com a diretora do departamento. A Secretaria de Estado da Saúde foi procurada, mas em razão do feriado do aniversário de São Paulo, a Pasta informou que não haverá expediente hoje e amanhã. As atividades serão retomadas apenas na segunda-feira. O Ministério Público também foi procurado, mas não retornou até o fechamento desta edição.

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Inaê Miranda