Publicado 04 de Janeiro de 2018 - 21h58

Por Virgínia Alves

As alamedas cobertas de mato alto e túmulos em escombros dificultam a passagem de quem visita com frequência os túmulos de seus familiares

Dominique Torquato/AAN

As alamedas cobertas de mato alto e túmulos em escombros dificultam a passagem de quem visita com frequência os túmulos de seus familiares

Quem visitou o túmulo de um ente querido no Cemitério da Saudade, em Campinas, no final do ano, se assustou com a situação que encontrou no local. Alguns acabaram tendo a sensação de que o cemitério ficou abandonado nos últimos tempos. Responsável pela manutenção do cemitério, a Serviços Técnicos Gerais (Setec) informou que a limpeza e manutenção é feita por presos do Programa Reeducando e que os trabalhos serão retomados nesta sexta-feira (5).

Mato alto e lixo espalhado fazem parte do cenário atual e não é a primeira vez que o Correio traz reclamações do cemitério. Em abril do ano passado, os visitantes já reclamavam da falta de manutenção do espaço. Para o professor de Educação Física, Antônio Miranda Gonçalves Júnior, 54 anos, a atual aparência do local é uma falta de respeito com quem vai até lá prestar uma homenagem para um parente querido. “A situação é a pior possível, um abandono total. Entre os caminhos dos túmulos tem muito mato, é uma falta de educação com as famílias”, desabafa.

Antônio nasceu e cresceu no bairro Cambuí, mas atualmente mora na cidade vizinha de Valinhos e anualmente vem até Campinas para visitar os túmulos dos pais e dos avós que estão enterrados no município. O professor afirma que já tentou reclamar, mas não obteve retorno. “Não adianta reclamar. Quanto mais reclamação, mais falta de respeito com as famílias”, diz.

Para as irmãs Dorote Ribeiro - 87 anos, Doraci Ribeiro - 76 anos, Edna Ribeiro - 83 anos, a situação começou a ficar complicada depois de outubro. Todos os meses a família, que é de Paulínia, vem até a cidade para visitar as sepulturas dos pais, irmãos e sobrinhos e notaram a deteriorização. “Eu acho que está abandonado sim. Em outubro os 'meninos presos' limpavam, mas agora isso aqui está um descaso”, diz Edna. As irmãs afirmam que já foram até a Administração do cemitério para tentar resolver a situação, mas que ainda assim os problemas não foram resolvidos. “Acho que o mínimo é deixar tudo limpo. Meu pai dizia ‘Viva a limpeza e a fartura, porque sujeira e miséria ninguém atura’, conta Edna.

Questionada sobre a situação do Cemitério da Saudade, a Setec informou que o último mutirão de limpeza foi realizado para dia 2 de novembro - Dia de Finados -, mas que ainda assim diariamente homens do programa Reeducando limpam o local. Ainda de acordo com a Setec, em dezembro os trabalhos foram suspensos devido ao recesso de fim de ano e que os trabalhos serão retomados nesta sexta.

Já o mato alto que toma conta entre os caminhos dos túmulos, o órgão informou que os trabalhos são realizados pela mesma equipe, mas as chuvas de Verão acabam atrapalhando parte da manutenção. “Durante o período de chuva é mais complicado mesmo, mas tanto a limpeza, quanto o corte do mato, serão retomados”, afirmou via assessoria de imprensa.

A Setec reforçou ainda que os trabalhos serão feitos dentro de um plano de ação para deixar os cemitérios da Saudade, dos Amarais e de Sousas em ordem. Os trabalhos dos reeducandos, segundo a Setec, são realizados de segunda a sábado.

Taxa

Em novembro passado a Prefeitura de Campinas anunciou que passaria a cobrar, a partir de março deste ano, uma taxa para manutenção dos cemitérios municipais. O valor da taxa será de R$ 57,60. Em novembro, a Setec afirmou que a nova cobrança poderá render R$ 2,8 milhões ao ano e será utilizada apenas para a manutenção dos túmulos e obras de arte do Cemitério da Saudade.

Há um tempo o local também tem sido alvo da violência que atinge a cidade. Com o objetivo de solucionar o problema, parte da verba arrecadada com as taxas, segundo a Setec, será usada para a instalação de medidas de segurança para evitar roubos e depredação nos cemitérios municipais.

De acordo com a Setec, os gastos com a manutenção dos cemitérios da Saudade, Amarais e Sousas ficam em torno de R$ 1,2 milhão: para os Amarais, são destinados R$ 400 mil; Sousas R$ 200 mil; e, para o cemitério da Saudade R$ 600 mil.

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Virgínia Alves