Publicado 03 de Janeiro de 2018 - 18h19

Por Virgínia Alves

A aposentada Góia Coelho participou das manifestações de protestos os servidores públicos de Campinas nesta quarta-feira

Dominique Torquato/AAN

A aposentada Góia Coelho participou das manifestações de protestos os servidores públicos de Campinas nesta quarta-feira

Nem mesmo a chuva que atingiu Campinas na manhã desta quarta-feira (4) impediu os servidores públicos ativos e aposentados de protestarem contra o pagamento de salário parcelado anunciado pela Prefeitura. A manifestação, que levou o nome de “Segundo ato contra o calote do Jonas”, começou as 10h nas escadarias do Paço Municipal, em seguida tomou a Avenida Anchieta e a passeata acabou bloqueando as principais vias do Centro da cidade. Cerca de 200 servidores participaram do ato.

Os servidores deveriam ter recebido o pagamento no dia 30 de dezembro. A Prefeitura reafirmou, em nota oficial, que os pagamentos serão feitos apenas no dia 12 de janeiro, além de afirmar que o pagamento de janeiro será antecipado para o próximo dia 26. Os aposentados também receberão com atraso. No dia 12 de janeiro irão receber integralmente os que ganham até R$ 4 mil – segundo o Camprev, são cerca de 70% dos 9 mil inativos.

“A Administração Municipal continua aberta para receber uma comissão dos servidores e dar todas as explicações. As medidas são necessárias em razão da queda de arrecadação e aumento na demanda por serviços públicos provocados pela maior crise econômica da história recente do País. A Prefeitura reitera que vem trabalhando para cortar despesas e melhorar a receita para que possa voltar à normalidade o mais breve possível”, diz a nota oficial da Administração.

Categoria não vai parar

Vitor Gaspar, de 30 anos, trabalhador da área da Saúde e porta-voz do Coletivo dos Trabalhadores em luta – responsável pela organização do protesto – afirmou que a categoria não vai parar de se manifestar enquanto os pagamentos não forem regularizados. Para ele, a situação ficou ainda mais grave depois que o escândalo envolvendo o Hospital Ouro Verde veio à tona. “Nesse último ano, houve diversos ataques aos servidores públicos e à população. O escândalo do Ouro Verde é ilustrativo da atual situação”, diz o servidor. Ainda segundo ele, a situação da Saúde de Campinas tem mostrado várias falhas no último ano, entre elas, falta de material e até mesmo de funcionários para suprir as necessidades da população.

Liminar

Os servidores planejam realizar mais protestos em frente ao Paço Municipal, além de cobrar repostas também do Sindicato dos Trabalhadores do Serviço Público Municipal de Campinas (STMC). Diante das condições anunciadas pela Prefeitura, o STMC impetrou uma ação na Justiça com pedido de liminar para garantir o pagamento dos servidores.

O argumento do Sindicato é de que o atraso dos salários fere a dignidade humana. A entidade decidiu ainda que vai ao Ministério Público para apuração sobre crime de improbidade administrativa, mas ainda não existem novidades na Justiça sobre a análise da ação, devido ao recesso no Poder Judiciário.

A direção do sindicato chegou a se reunir com representantes da Prefeitura de Campinas, que reafirmaram atraso no pagamento dos salários. Os diretores sindicais repudia a conduta do governo municipal que tem prejudicado os servidores. Segundo eles, o governo informou que em janeiro acabará com os atrasos já que foram aprovadas medidas para equilibrar as finanças do município, como o aumento dos impostos.

Questionado sobre a insatisfação dos servidores também com o STMC, o sindicato informou que é direito dos trabalhos cobrar uma resposta, mas que ainda não há nenhuma novidade sobre a liminar. O Sindicato afirmou ainda que, na tarde desta quarta-feira, os representantes chegaram a se reunir para debater novas formas de resolver a situação dos servidores, mas que ainda não há uma definição.

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Virgínia Alves