Publicado 02 de Janeiro de 2018 - 22h25

Por Marcelo Andriotti

Eleições em outubro de 2018 definirão quais serão os rumos da política econômica após a fase de turbulência que paralisou o Brasil

Cedoc/RAC

Eleições em outubro de 2018 definirão quais serão os rumos da política econômica após a fase de turbulência que paralisou o Brasil

A indefinição do quadro de candidatos para as eleições de outubro de 2018 ainda afeta a economia e atrasa investimentos privados, na opinião de especialistas. Essa incerteza também preocupa empresários da região. Eles, porém, acreditam que a economia está conseguindo se desvencilhar da turbulência política, como mostrou o Correio nesta semana, mas avaliam que a retomada segue lenta.

De um lado, o ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva, líder nas pesquisas, aguarda decisões da Justiça para saber se sua candidatura será viabilizada. As propostas econômicas de Jair Bolsonaro, segundo colocado, são pouco conhecidas. E outros principais partidos ainda não têm seus candidatos definidos.

Para o economista Fabrício Pessato, professor da graduação e pós-graduação da DeVry Metrocamp, o mercado prevê que Lula não conseguirá ser candidato e dá sinais que, sem o ex-presidente, a economia poderá se recuperar de forma mais consistente. “Mas é preciso considerar que, o que é bom para o mercado nem sempre é bom para o Brasil, para a democracia ou mesmo para economia. O mercado visa o lucro e não se preocupa com o bem-estar social ou outros aspectos”, avalia.

Apesar do mercado ter alcançado altos lucros nos governos Lula, o ex-presidente não é o preferido dele por representar uma política em que o estado é mais presente, com investimentos sociais e incentivos econômicos, mesmo que signifique menor economia governamental para o pagamento de juros, por exemplo. “Também há uma percepção de que Lula não terá as mesmas condições econômicas e políticas para repetir o crescimento dos seus dois primeiros governos. E terá dificuldades na articulação política, mas isso também ocorrerá com candidatos de centro ou de direita”, afirma.

Independente das posições do mercado, ele acredita que os empresários ainda aguardam por mais clareza no cenário eleitoral para poder definir investimentos. “Os empresários esperam é estabilidade para que possam investir prevendo retorno em seus negócios”, diz.

O cientista político Pedro Rocha Lemos, do Instituto Federal de São Paulo, campus Jundiaí, avalia que entre os candidatos a presidente o mais incerto é Bolsonaro, que se apresenta como liberal nos aspectos econômicos, mas sem apresentar propostas claras.

“Se Lula e o governador Geraldo Alckmin forem candidatos, o mercado e os empresários já conhecem mais suas linhas políticas e propostas, se adaptando sem maiores impactos. O mercado se manifesta de um lado ou do outro, mas depois das eleições é maleável com qualquer um que vença”, diz.

Lemos ressalta que, independente dos candidatos, uma questão econômica muito importante é a redução da desigualdade para o Brasil voltar a crescer. “Muitos pregam menos estado, mas esquecem que isso significa menos educação, saúde, segurança. O que é preciso é eficácia para combater a corrupção e para que os gastos públicos sejam mais bem aplicados”, diz.

O economista Pessato também alerta que, mesmo que a economia se recupere, a massa salarial deve continuar em baixa. “A reforma trabalhista deve fazer que apareçam mais trabalhadores com contratos intermitentes, com menores ganhos. Já estamos vendo isso ocorrer na área de educação e deve ocorrer em outras áreas”, diz, ressaltando que isso traz reflexos negativos na economia e na Previdência.

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Marcelo Andriotti