Publicado 27 de Janeiro de 2018 - 0h00

Por Carlo Carcani Filho

Perder os dois primeiros jogos em casa em um campeonato de apenas 12 rodadas é preocupante. A derrota para o Santos pode até ser definida como normal, mas o resultado contra o Linense foi desastroso. O adversário que na segunda rodada do Paulistão saiu do Majestoso com três pontos na sacola não conseguiu pontuar e nem mesmo marcar um golzinho nos seus outros dois compromissos.

Como a Ponte já enfrentou dois grandes em apenas três rodadas, sua pontuação atual é aceitável. O time está na zona de classificação de sua chave e nas nove rodadas restantes só terá mais um grande pela frente — o Palmeiras, no dia 18 de fevereiro, no Majestoso.

Portanto, em uma análise fria da campanha, não há motivo para desespero ou preocupação da torcida. Mas não dá para analisar o atual momento da Ponte com os olhos voltados apenas para o classificação do Paulistão. O entorno requer atenção. Muita atenção.

O goleiro Aranha pode vir a ser o quarto atleta, em um curto período de tempo, a entrar com uma ação trabalhista contra o clube. As duas partes vão tentar um acordo até quarta-feira, mas a primeira oferta foi tão distante do que o goleiro considera aceitável que fica difícil ser otimista quanto ao desfecho das negociações.

Fábio Ferreira, João Lucas e Fernandinho já acionaram a justiça trabalhista em processos que, somados, chegam à casa dos R$ 2 milhões. Se não chegar a um acordo, o clube pode ter pela frente uma ação de valor maior do que a dos outros três juntos. E, nos bastidores do clube, é dado como certo que outros processos estão por vir.

Ao contrário da campanha, essa situação é muito preocupante. É notório que o clube enfrenta a sua maior crise financeira dos últimos anos. E se as coisas chegaram a esse ponto, a solução não é simples.

E é exatamente por isso que a situação exige que ações imediatas da diretoria. A Ponte já vive uma situação complexa e tudo pode sair do controle se algo não for feito ao menos para conter a crise.

Ter um time só de garotos (alguns com potencial, outros nem tanto) para disputar o Paulistão e a Série B e não pagar os salários corretamente é uma mistura explosiva, de alto risco.

A nova diretoria e o presidente de honra Sérgio Carnielli precisam começar a trabalhar duro para conter a crise atual e, ao longo do tempo, retomar o equilíbrio. Se ignorar o tamanho do problema, a Ponte correrá o risco de viver uma situação inimaginável para quem disputou a divisão de elite do Brasileiro em 2015, 2016 e 2017. 

Escrito por:

Carlo Carcani Filho