Publicado 02 de Janeiro de 2018 - 0h00

Por Carlo Carcani Filho

Na última edição de 2017 do Correio, o repórter Carlos Rodrigues publicou um levantamento sobre o desempenho de todos os jogadores de Ponte Preta e Guarani durante a temporada. O jornal publicou um balanço com os dez melhores de cada equipe em minutos jogados, gols marcados e assistências, assim como os dez que foram mais advertidos com cartões durante todo o ano. Nas colunas desta semana, vou analisar o desempenho daqueles que mais se destacaram no futebol campineiro em 2017 e também daqueles que ficaram abaixo da expectativa de torcedores e dirigentes.

Começo pela Ponte Preta, que teve um caso muito curioso. Os números mostram, de forma clara, que Lucca foi o melhor jogador do clube em 2017. Ele esteve em campo durante 5.772 minutos (superado apenas por Aranha), foi o artilheiro do time com 24 gols (mesma marca alcançada pelo 2º, 3º, 4º e 5º colocados juntos) e também foi o líder em assistências (7), ao lado do lateral Nino Paraíba.

Um atleta que está sempre em campo, é artilheiro e que também lidera o elenco em assistências só pode ser um ídolo da torcida, certo? Por incrível que pareça, nem sempre.

Indiscutivelmente, Lucca foi a melhor contratação da Ponte para 2017. Durante boa parte da temporada, foi ovacionado pela torcida. Despertou o interesse de outros clubes, inclusive do exterior, e isso talvez tenha sido determinante para que durante parte do ano ele também tenha sido um dos jogadores mais criticados pelos mesmos pontepretanos que tanto vibraram com suas atuações.

Todo atleta profissional precisa ter equilíbrio emocional para lidar com negociações frustradas. Não tenho a menor dúvida de que é muito difícil se imaginar no Campeonato Francês, buscar informações de uma nova cidade e de um novo clube, fazer planos com um salário bem maior e, de repente, receber a notícia de que nada disso vai acontecer.

É difícil, mas faz parte da carreira de qualquer atleta com a qualidade de Lucca. A queda de rendimento do atacante — e do time — se intensificou depois que a negociação foi encerrada.

Não acho que Lucca perdeu interesse de defender a Ponte. Seria uma atitude pouco inteligente. Ele tem 27 anos e ainda pode realizar o sonho de atuar no exterior. Imagino que ele teve dificuldade para lidar com a frustração de não ir para a França. Em nenhum momento ele deixou de se dedicar. O que ele perdeu foi o foco.

Ainda assim, foi o melhor jogador da Ponte Preta no ano e um dos principais goleadores do futebol brasileiro em 2017.

Escrito por:

Carlo Carcani Filho